CBF vs Seleção Brasileira

Eu acho impressionante o quanto a CBF trabalha para sabotar a seleção brasileira e o próprio Mano Menezes. Neste domingo a rodada do brasileirão aconteceu sobre a sombra do amistoso entre Brasil e Gana que acontecerá esta segunda-feira se eu estou bem informado. Não discutirei a relevância do jogo, minha humilde opinião é que a seleção de fato precisa de confiança e entrosamento, duas coisas que você não consegue levando um time em formação para ser espancado por uma Alemanha que joga junto há no mínimo dois anos, mas o que mais me espanta é o precedente que a CBF abriu neste domingo para o torcedor jogar contra a camisa canarinho.

Não é de hoje que ouvimos aquele mimizinho de torcedor babaca dizendo: “blá blá blá, eu torco muito mais pelo meu time do coração do que pela seleção brasileira, blá blá blá, quero que o Brasil perca tudo pois é a seleção do Ricardo Teixeira e não a seleção do Brasil, blá blá blá, entre uma Libertadores do meu time e Copa do Mundo da seleção brasileira eu quero a Libertadores, blá blá blá, sou bixinha, blá blá blá, sou completamente alienado”

Tenho certeza que o leitor já ouviu alguma destas expressões e talvez as tenha até dito. Para mim estes são argumentos ridículos que você pode ouvir de qualquer torcedor modinha quando seu time do coração perde. Sabe aquele torcedor que quando o time toma uma goleada do rival diz: “Sou são-paulinho/palmeirense/corinthiano/…, mas nem ligo muito para futebol”.

É a raça mais deprimente do futebol, não faz a mínima idéia da escalação do seu time, mas passa uma semana e ele vai zoar o amiguinho rival quando o time dele vence o clássico.

Eu sou são-paulinho fanático e igualmente doido pela seleção brasileira.

Não é a seleção do Ricardo Teixeira, assim como o São Paulo não é o time do Juvenal Juvêncio. Os dois, neste caso, são infinitamente maiores que os dois ditadores citados, a camisa amarela e a tricolor são eternas, os dois citados morrerão e as duas estarão lá, imponentes e gloriosas.

Tanto a Seleção quando o tricolor são grandes demais para ter dono. O mundo olha a camisa canarinho e a respeita, o brasileiro a olha e desdenha sem entender metade da história que ela representa. Se tem Ricardo Teixeira ou não é irrelevante, ou alguém aí vai ser capaz de não comemorar um possível título mundial em 2014?

Se a Seleção é tão irrelevante porque tanta dor e ódio quando fomos eliminados em 2010?

Hoje em dia o brasileiro torce contra a Seleção do Ricardo Teixeira, não por opinião, mas por puro modismo. O corintiano por acaso torcia contra o Corinthians na época do Dualib e o palmeirense com o Mustafá, torcia para o Verdão perder?

A rodada deste domingo dá argumentos contra a seleção brasileira para metade das torcidas. O Vasco não tinha Dedé, Flamengo não tinha Ronaldinho Gaúcho, São Paulo não tinha Lucas, Corinthians sem o Ralf, estes são só os clubes que me vieram a cabeça. Todos estes aceitaram e jogaram como é feito há décadas, mas só um foi a CBF tentar ganhar a rodada no chororô.

E o mais foda é que ele conseguiu.

Quando a CBF adia o jogo do Santos contra o Botafogo sem nenhum motivo real ela consegue beneficiar um, prejudicar outros dezenove e o pior de tudo gerar um desgosto danado com a seleção brasileira e o Mano Menezes.

O Mano, foi corretíssimo, se está jogando bem tem que chamar, a seleção é isto, só os melhores, não importa se é contra a Alemanha ou contra o Azerbaijão, mas o negócio é que tirando o São Paulo todos os clubes tiveram resultados ruins e o Santos está todo felizão aguardando seus garotos voltarem.

Aí o santista diz: “- Ah, mas o Santos estava sem três títulares e dois craques”. Eu até entendo, mas o São Paulo jogou sem doze titulares e nem por isto teve seu jogo adiado. Eu acho que o Palmeiras não tinha seis titulares na rodada passada, jogou e perdeu, mas jogou.

Há tempos eu me pergunto o que o Santos tem de especial. Este ano o Santos teve um monte de jogos do brasileiro  adiados em razão da Libertadores da América. Concordo com esta decisão, mas me pergunto porque este tratamento nunca foi dado ao São Paulo e ao Internacional que há uns cinco anos começam o Brasileirão só no segundo turno depois de apanhar de todo mundo no primeiro.

Como torcedor clubista me sinto prejudicado e inconformado, mas fico muito mais doido pela seleção brasileira que carece da atenção dos que se deixam levar por modismo e saem proferindo aos quatro cantos que não dão a mínima para a amarelinha.

A seleção é eterna. Para o mundo inteiro aqueles onze homens não representam Ricardo Teixeira, eles representam a mim, você e a décadas de história.

Só Twittando

Porra! Eu sou sortudo, mas este sujeito do Santos tá foda!

Separando o Joio do Trigo

Confesso a vocês todos, como são paulino, que estes jogos decisivos, tanto do Paulistão, quanto os da Copa do Brasil que se aproximam estavam me deixando um tanto quanto apreensivo, e isto nada tem haver com qualquer deficiência técnica do time ou qualquer coisa deste tipo. Vou me explicar melhor.

Neste 2011, o que os tricolores puderam observar do seu time de um modo geral foi uma séria dependência de Dagoberto, Lucas e mais recentemente do Ilsinho. Jogadores ótimos técnicamente, me garantiram uma grande tranquilidade na fase de tabelas, tanto nos jogos menores quanto nos clássicos.

Aí vem as decisões e lá se vai minha tranquilidade. O time é o mesmo, mas a situação é outra e isto faz toda a diferença. E o que faz toda a diferença não vem da parte técnica, mas sim da parte que pensa. É a parte que diferencia o ótimo e técnicamente melhor Dagoberto do Elano, por exemplo. No futebol de Domingo com os parentes o Dagoberto dá um show no Elano, mas quando o bicho pega e alguma decisão chega o volantão santista pega toda a pressão e transforma em combustível e acaba com o jogo sozinho, enquanto o são-paulino entra em parafuso.

Isto faz do Elano TÉCNICAMENTE melhor que o Dagoberto? Jamais. Só que é isto que faz do Elano um craque e do Dagoberto um bom figurante. Por isto que lá na Copa do Mundo, se vocês vasculharem os posts mais antigos deste blog irão ver este mesmo blogueiro dizendo que a seleção brasileira sentiria muito maisa saída do Elano do que a saída do Kaká, por exemplo. Quando a coisa ficou um pouquinho feia lá na Africa e a seleção tomou o empate lá dá Holanda, Kaká desapareceu, enquanto nessa hora em diversos jogos pela própria seleção o Elano se agigantaria.

Lembra do Raí?

Técnicamente eu consigo citar um monte de gente melhor que ele, só que foi sua capacidade de liderança e de continuar pensando na hora da pressão que tornaram o São-Paulo internacional, batendo no Barcelona.

Os fãnzinhos do Dago, Ilsinho e Marlos que me desculpem, mas não são jogadores de decisão, são sempre os primeiros a desaparecer. Não é de hoje. Eu sabia que eles iriam desaparecer, você sabia e o Morumbi inteiro já sabia, a diferença é que a maioria não queria acreditar, ou melhor, queria acreditar que este ano seria diferente. Confesso que bem lá no fundo, até eu tinha a esperaça que este ano eles tivessem uma postura diferente, mas quem pensava assim era a parte são-paulina e não a parte que realmente raciocina.

Começa a semi-final e o jogo vem de forma fácil e tranquila. O Santos com uma postura de contra-ataque como é praxe do seu técnico e você vê os tricolores que eu citei deitando e rolando. Aí vem o segundo tempo, o Santos dificulta um pouquinho só e o São Paulo se encolhe.

Foi a modificação do Muricy que destruiu o jogo e o são-paulo e fez um time que não chutou uma bola ao gol no primeiro tempo virar uma locomotiva?

Claro que não, se ele é mesmo capaz de modificar seu time e o time do adversárico só com uma manjada troca de zagueiro por atacante, ele realmente merece estar na Europa no lugar do seu pupilo Mourinho.

Sei que é necessária massa encefálica demais para concluir isto e a imprensa prefere jogar tudo na conta do Muricy, só que quem pensa um pouco consegue ver que o que fodeu o São Paulo  foi a mudança de postura mesmo.

Quando a Holanda empatou com a seleção na copa do mundo eu  nem liguei para o resultado, um empate não quer dizer que ferrou tudo de vez, quer dizer que as coisas só se igualaram, simples assim. O que me preocupou foi a postura do time, tomando aquele empate como se fosse o quinto e último gol de uma goleada inédita.

O jogo de hoje foi a mesma situação, o Santos veio um pouquinho pra cime e pareceu que o jogo já estava três a zero e tudo estava perdido.

Não tinham mais postura para rebater o adversário, a pressão não deixava mais os caras pensarem.

O que o Muricy fez foi só deixar que seus craques jogassem. Isto faz dele um mestre? Sei lá a minha concepção é que craque tem que jogar sempre.

Quando me perguntavam porque eu queria tanto o Rivaldo como titular absoluto do time nestas semi-finais, e eu respondia que era só porque ele aguenta este tipo de jogo o pessoal ria de mim, mas hoje você conseguiu ver tranquilamente que o que faltou foi um cara que nem liga para o jogo que ele está jogando.

Vai falar pro Rivaldo se ele liga se está em um São Paulo e Santos ou São Paulo e Corinthians. Ele nem vai saber a diferença. Este cara disputou final de copa do mundo, semi-final de paulistão é café pequeno para ele.

Sacaram?

O que fez toda a diferença nesta semi-final é que Neymar, Ganso e Elano gostam deste tipo de jogo e crescem nesta hora.

Isto é o que faz deles gigantes, craques.

Deixá-los jogar foi fazer o básico pro lado Santista. A marcação do São Paulo falhou? Sim, mas me coloco na posição do Carpegiani e penso:

Se o você mete marcação individual nos três o marcador vai perder sempre, e se você coloca uma marcação individual com sobra você perde o time inteiro.

Um craque já é dificil parar, imagina três, e quando estão inspirados é pior ainda.

Jogo bom e resultado justo, passou o melhor!

Sobre meninos e homens

É triste dizer, mas se pararmos para pensar um só segundo na atual geração temos um medo danado do futuro. É nego entrando em escola mandando bala em todo mundo, nego se matando por causa de zoação no colégio, nego quebrando lâmpada em cabeça de viado pela rua…

É viado que se fala sim, tá? De que adianta eu ser politicamente correto e falar homosexual e ter um rancor danado dos caras?

Menos hipocrisia.

Só que pior que todos estes atentados, que com muita boa vontade podem ser classificados como obras de gente maluca que não refletem o que a maioria pensa, o que mais me assusta é a maldita falta de valores desta gente, e esta é sim uma característica assustadora da maioria.

Antes de qualquer outra linha vamos só esclarecer que é óbvio que existem exceções, como tudo na vida, só estou dizendo que este é um comportamento que enxergo na maioria e ponto.

Porra, eu sou desta geração!

Quando digo falta de valores me refiro a atitudes simples, que na minha opinião moldam o carater de qualquer sujeito.

E gente crescendo assim e assumindo o poder mais pra frente é o que me dá medo.

Respeito, ao outro, pela história e respeito por gente que soube chegar onde a gente ainda não chegou. Responsabilidade, sobre você, sobre seu meio e a todo sistema a sua volta. Capacidade de pensar para que não se deixe ser manipulado e outras diversas atitudes simples que comodamente estão se tornando apenas lembrança de um passado melhor.

Neste blog, já falei sobre a gratidão e caráter, uma das virtudes mais importantes que alguém pode ter.

Por enquanto é apenas boato, mas se de fato se concretizar a saída do Ganso para ir para o Corinthians este entrará para a distinta lista que o garoto do post citado acima pertence.

Ele poderá ter sucesso, poderá ser o melhor do mundo, poderá fazer qualquer coisa, mas nunca mais será ídolo, nunca mais terá casa e nem time. Uma carcaça guiada apenas pelo dinheiro, sem nenhuma paixão.

Veja, você pode dizer que sou só um idiota tradicionalista, mas quando Ganso faz esta simples troca de camisas da mesma cor ele está passando por cima do time que o tirou lá do Pará, da plantação de Açaí e deu todas as chances para que ele fosse alguém na vida. Está passando por cima do clube que o lapidou como uma jóia desde a infância e de uma nação que com três mêses de carreira, ou um campeonato paulista, o colocou no posto mais alto que alguém poderia atingir, ser o craque da camisa dez do Santos.

O que esta molecada tem na cabeça?

Não é apenas uma simples troca de emprego como você e eu estamos acostumados a fazer todos os dias, é uma nação na espectativa do seu “Sim” ou “Não”, são crianças que quando jogam bola na rua brigam para escolher quem será o PH Ganso.

Ao contrário de muitos eu sou um dos principais defensores a salários altos para craques (apenas para os craques), são eles que carregam os anseios de milhões, é muita responsabilidade.

Sei que meu discurso sôa demodê e sem espaço para a falta de tudo que se estabeleçe hoje em dia, mas é aí que eu lhes pergunto:

De fato progredimos?

E se sim, desde quando progresso é melhor?

A cada dia que passa Neymar se mostra cada vez mais gigante para mim. É Irônica a forma que o mais moleque se mostrou o mais homem e o mais “homem” se mostrou o mais criança.

No post, propositalmente uma foto dele sem clube e sem camisa.

PS: A palhaçada que esta renovação já se tornou já seria motivo para este post, porém, se ele renovar certinho eu retiro tudo isto que disse com a maior satisfação.

Ética?

Quem acompanha este blog pode ter certeza de que esperei com muita paciência e ansiedade pelo momento deste post. Eu tinha total certeza que seria apenas questão de tempo escrevê-lo, e se eu fosse um pouco mais ousado e menos preguiçoso o teria deixado preparado no mesmo dia que escrevi este AQUI.

Como eu disse no post citado, mais uma vez o nosso amigo Muricy Ramalho deixa um time grande na pior situação possível, pela porta dos fundos e principalmente… como vítima perante a mídia que tanto o ama.

Alguns podem dizer que foi o São Paulo que mandou embora o enviado dos céus que fez do tricolor paulista tricampeão brasileiro. Eu prefiro pensar que o São Paulo mandou embora o sortudo que o clube fez tricampeão. Parece clichê de são paulino magoado esta afirmação, mas ela é tão verdade que ninguém para para pensar que com o mesmo time o tal do Ricardo Gomes chegou em terceiro lugar no brasileirão 2009. Lembrando que ele pegou o time na zona de rebaixamento e na reta final do campeonato perdeu de forma no mínimo estranha quatro jogadores títulares nos últimos três ou quatro jogos, e mesmo assim chegou em terceiro.

Isto faz do Ricardo Gomes um míto? Um ótimo técnico?

É também acho que não, mas se é para cobrar coerência, cadê a nossa imprensa esportiva tão coerente gritando o nome de Ricardo Gomes como técnico top brasileiro?

Deixa para lá.

O que importa é que depois de um tempinho de férias nosso amigo atravessa o muro justo no ano que o Palmeiras arma um dos times mais fortes da década. Converso com amigos palmeirenses dizendo que não ganhariam nada no ano, que seria apenas questão de tempo o Muricy acabar com o belo futebol do time de Diego Souza e Cleiton Xavier.

Mais uma vez Muricy me dá uma força e não me deixa falar besteira.

Depois de mais um tempo e mais uma férias o treineiro vai para o Fluminense e ganha mais um brasileiro no seu maior estilo: sorte, sem querer, futebolzinho ridículo e dependendo totalmente de um jogador da genialidade do Conca. Não vamos esquecer também que ele dependeu da boa vontate de outros time ao entregar o jogo por pura rivalidade.

Beleza, título fantástico para o Fluminense como clube, que precisava urgentemente de um título como eu escrevi AQUI, mas nessa hora vou contra toda a imprensa.

Se ganhar assim é ser o melhor técnico do país e merecer a seleção brasileira vou começar a torcer pela Alemanha já!

Isto é futebol de São Caetano, time pequeno, não de seleção brasileira, referência do melhor futebol já existente nesta terra. Se um dia a nossa sagrada seleção de futebol for exposta a esta aberração inventada pelo São Paulo Futebol Clube eu juro que abandono a Sagrada Amarela por tempo determinado.

Agora eu lhes pergunto caros leitores, o que as três saídas tiveram em comum?

Nosso amigo treineiro e rei da ética, que adora dar exemplo para os filhos, sempre fez questão de falar muito mal dos times que pagaram seu salário no mês anterior.

Quando saiu do São Paulo e foi para o Palmeiras dizia que no Palmeiras o ambiente era ótimo, não tinha pressão, que era uma família e mais um monte de desculpas. Quando saiu do Palmeiras disse que tinha racha interno, jogadores não gostavam dele, diretoria pressionava e mais um monte de desculpas. Ao sair do Fluminense ele extrapola na falta de respeito ao time que pagava seu salário uma semana antes.

Isto é ética?

Isto para mim é inventar desculpa para a própria incompetência e ainda sair de vítima para a imprensa que o adora.

Há, vamos só lembrar de um detalhe: tanto no SPFC, Palmeiras e no Fluminense o nosso amigo aí tinha sempre o melhor elenco do Brasil, então não dá para falar que ele estava tirando leite de pedra como o Felipão está fazendo no mesmo estilo.

Muricy Ramalho é um cara inteligente, sabia que se acertasse com o Santos exatamente na mesma semana que deixou o Fluminense na mão teria vomitado em cima de toda palhaçada “ética” que ele tanto adora vender. Então ele espera passar três semanas, aproveita que é Brasil e que brasileiro tem memória curta e pode feliz da vida dizer que foi ético e que nem pensava na hipótese de ir para o Santos quando saiu do Fluminense.

Entrevista tão previsível quanto o futebol de seus times.

Daqui a mais um mês quando ele conseguir a proeza de deixar dois times a beira da desqualificação na mesma Libertadores vai dizer que Libertadores é mais sorte que competência, que o Santos teve azar, vai tentar colocar a culpa em mais algum costas largas e nós trouxas que somos vamos engolir tudo.

Mais uma vez tão previsível quanto seu futebol.

Confesso que a única coisa que me deixa ansioso para saber é a nova desculpa a ser inventada daqui a seis meses, porque dizer que o Fluminense não tem estrutura soa meio estranho afinal seis meses antes, quando o time estava sendo campeão brasileiro, a estrutura era a mesma. Correto?

O mais nojento é ver toda a imprensa colocando o Muricy no Santos como se este fosse a única solução do Peixe se este quiser ganhar alguma coisa este ano. De alguma forma muito estranha os valores se inverteram e os craques Neymar, Ganso e Elano já não representam mais nada.

Chega a ser uma inversão de valores tão ridícula quanto dizer que sem o Muricy Ramalho o São Paulo não teria sido tricampeão brasileiro e o Fluminense com Conca, Deco, Fred, Diguinho, Emerson e mais uma infinidade de jogadores de alto nível não teria ganho o BR 2010.

Arrisco dizer que se o time do ano passado tivesse nas mãos do Luxemburgo, por exemplo, o mesmo teria ganho com folga, de forma empolgante e sem asterísco nenhum. Assim como a seleção palmeirense de 2008 que se tivesse ficado na mão do Luxa teria sido campeã umas quatro rodadas antes.

Enfim.

Só resta agora é lamentar mais um grande time que vai perder seu futebol gradativamente e seus craques, que uma hora não vão mais conseguir fazer diferença, nos balões para a área vão acaber se desvalorizando, mas tudo bem, no fim do ano eles ganham mais um brasileiro sem querer e toda nossa mídia esquece o vexame inédito de foder dois times na mesma competição.

Mas é claro que agora o nosso Fluzão, sem o pseudo-melhor-técnico/marketeiro-da-humanidade, vai se classificar e vamos fazer questão de eliminar o Santos em algum mata-mata pela frente :).

Confesso que depois de toda batalha do último jogo e batalha para classificação, se isto acontecer o tricolor carioca rouba mais um espaço enorme dentro deste coração paulista.

Vai meu Fluzão!

Adendo:

Se o parceiro Luiz Ribeiro me permite gostaria de destacar este comentário fantástico que ele deixou logo abaixo:

Com relação ao tema principal, ética: correta a análise, o Muricy comportou-se como um diretor de uma empresa privada que pede demissão quando percebe que o barco vai afundar, só para preservar seu curriculum.
Muricy não é ruim, mas muito limitado. Eficiente, ganha títulos em campeonatos que exigem regularidade e não estratégia. Baseia seu trabalho em um pilar: reduzir todas as formas de risco. Usa estatísticas como bússola. Inibe fortemente jogadores talentosos de arriscarem jogadas de efeito, pois podem representar riscos para o time quando as jogadas não derem certo. Fortalece a marcação e a defesa em detrimento das jogadas de ataque, lançando 300 bolas por jogo na área, pois sabe que estatisticamente uma hora ela entra no gol. Usa garotos da base somente quando não há absolutamente outra alternativa, preferindo jogadores experientes já que, mesmo sendo inferiores tecnicamente a alguma jovem promessa, têm seu comportamento totalmente conhecido e previsto
Apesar de volta e meia alardear que foi pupilo de Telê Santana, nada tem do mestre. Telê era estratégico e visionário. Muricy é estatístico. A tão comentada disciplina que exige dos jogadores é distinta. Telê aplicava a disciplina de forma paternal, corretiva, construtiva. Muricy mais parece um feitor. Telê era ídolo de seus jogadores. Muricy é o chato.
Também acho que não vai dar certo no Santos, um time com características de risco,de improviso, de talento, vontade de fazer gols e mais gols, mas com defesa fraca. Vai reduzir o campo de ação do Neymar e do Ganso, e sobressair o Elano, que será a figura mais importante do seu time.”

Falou muito melhor que eu

Santos e Palmeiras – Paulistão 2011

Domingão mais um clássico na Globo e nenhuma novidade.

O Santos recebeu o Palmeiras na Vila pra tentar sair da draga que anda, e o Palmeiras foi a campo meio que tentando se convencer e convencer os outros que não é o patinho feio que pregam e que não está onde está por pura sorte.

É… é mas não é… 🙂

Quando disse que não houve nenhuma novidade é porque o jogo de fato foi bem característico de uma equipe do Felipão. O Palmeiras marcava muito forte, a ponto de não jogar e nem deixar que jogue, sempre apostando em meter bicuda lá para o Kleber e ver o que acontece. Estranho é que de forma incrível, mesmo com os duzentos volantes do Felipão em campo, o Santos mostrou superioridade de um jeito que até o Felipão resolveu colocar mais um só para garantir e deixar o Kleber ainda mais feliz isolado lá na frente. :).

Aí o amigo leitor me diz, mas o Felipão não tem elenco.

Mentira.

Já falei disso aqui, e hoje o garoto que entrou bem no lugar do Lincoln, João Vitor eu acho, mostrou que o que falta é mais coragem do que elenco em sí.

Coragem e visão de jogo também.

Com a escalação de hoje se ele tivesse notado que o tal do Zé Love estava deitando e rolando nas costas do Rivaldo quando o Neymar trazia a marcação ele não teria tirado o Michael Jackson e sim o Rivaldo, para a entrada do Gabriel Silva e não do Luan. A alteração funcionou porque o Luan entrou lá para ajudar na marcação do Love, só que o que vimos foi que o Palmeiras gastou dois jogadores medianos para marcar mais um mediano, que é o Zé Love, como se este fosse o Ronaldinho Gaúcho caiçara.

Feio, bem feio. Mais feio do que entrar para empatar como foi o que aconteceu. Um time do tamanho do Palmeiras entrar com a certeza de que não dá para ganhar e seu treinador ratificar isto no meio do jogo é um crime contra toda a história do time verde. Um crime contra a Academia.

Palmeiras entrou para empatar/perder e se surpreendeu com a vitória sem querer.

Outro detalhe bem marcante do primeiro tempo foi o jogo duro a ponto de se tornar desleal, dos dois lados diga-se de passagem, mas o que fizeram do Neymar foi quase criminoso, ele revisou, reconheço, perdeu a razão, mas não diminui o que fizeram. O moleque não parava em pé, mas sempre parado na base da pancada. Uma boa base de comparação é com o Kleber que não recebeu metade da marcação que o Neymar recebeu e não conseguiu fazer nada para sair dela. Neymar sempre que pegava na bola tinha um em cima e dois na sobra e ainda assim fez miséria no jogo.

Neymar mostra cada vez mais que é gigante, craque, e a torcida imbecíl que é xingando de mercenário. Justo o moleque que mais perdeu dinheiro dentro daquele time. Queria ver metade destes que xingaram o Neymar na mesma situação dele, com uma proposta de cem milhões. Tenho certeza que todos teriam aceito e mandado o Santos para a PQP.

Se não estão satisfeitos mandem ele para o tricolor, agente entrega o Soto, Fernandinho e Santana de troco fácil.

Os Santistas não conseguem ver que a zaga é fraquissima, mas o ponto marcante é o meio. Elano marca muito bem, mas é muito mais ofensivo do que marcador. Sozinho, não consegue fazer a ligação com o ataque e o time fica previsível. Você marca o Elano indiretamente acaba com o futebol do Neymar e do Zé Love. Desafogar o Elano seria papel do Ganso, ou do Arouca, mas como o Arouca não está jogando e o Ganso pensando muito mais na Rubro Negra Italiana do que no Santos fica difícil.

Ganso estava irreconhecível, tanto hoje quanto nos últimos jogos e como o Santos não tem laterais não tem desafogamento na transição. Elano é muito craque, mas sozinho não dá.

Com esta difículdade de criação e chegada o Santos não criou a ponto de encantar e vencer a partida, mas criou muito mais. O Palmeiras como sempre se apoiando demais nas bolas paradas do Marcos Assunção, chuveiradas alçadas na área da intermediária e esta jogadinha que não tem objetividade nenhuma. Dá certo, é efetivo (Muricy com seu tetra-campeonato que o diga), mas não tem objetividade nenhuma e é muito mais dependente da sorte e boa vontade dos céus do que de talento de verdade.

O que eu não consigo entender é como um treinador dá preferência a este futebol ridículo quando ele vê que na primeira (e única) jogada que seu time coloca a bola no chão para jogar como time grande, seu atacante termina sozinho lá na frente do goleiro e garante a partida.

Injusto, mas quem foi que disse que futebol é justo. Como eu disse foi tão injusto que acho que até o Palmeiras se surpreendeu com a vitória.

Os palmeirenses podem me xingar, mas não vou mudar minha opinião de noventa minutos por causa de uma jogada nos últimos cinco minutos que resulta em um gol e algumas bolas na trave do excelente Marcos Assunção, reconheço, ele é cabuloso, mas não dá para falar que o Palmeiras mereceu, quando merecer pode ter certeza vou ser o primeiro a gritar os meus parabéns.

O pior é que qualidade tem né Patrick, o que falta é coragem.

Calou minha boca

Na quarta feira agora, a menos de uma semana neste post eu disse que não acreditava que o Paulo Henrique Ganso voltasse a jogar em alto nível tão cedo, pensei que levaria um ou dois mêses. Falei isto baseado no fato de que um jogador que volta de uma lesão tão grave como a dele, volta sem confiança, com um certo medo de se machucar ou fazer movimentos mais complicados e até um atraso no tempo de jogo mesmo, é muito natural isto, foi um ano sem jogar bola, nada para culpar o jogador.

O complicado é que mais uma vez um craque cala a bola do escrevinhador aqui.

Ganso joga demais, é craque. É um craque mais craque que o craque Neymar… na minha opinião. E a principal característica de um craque é calar a boca de quem duvída dele. Ronaldo fez isto milhares de vezes, Raí fez também uma dúzia delas, o próprio Neymar já cansou de calar a boca de jornalista idiota e o Ganso agora entra para esta limitada lista.

Quem assistiu o jogo ficou de boca aberta.

O que vímos foi um moleque que parecia ter jogado futebol como se nada tivesse acontecido. Foi de longe a atração do jogo e o melhor em campo. Nos lembrou de como é talentoso, tem visão de jogo, é inteligente e como num jogo besta ele já chamou a responsabilidade.

Para alegria do Santista e para a alegria do brasileiro que gosta do bom futebol o craque voltou.

Os pseudo-camisas dez podem tremer. Kaká, Ronaldinho Gaúcho e quem mais estiver almejando a camisa de Pelé. Esta gente que se omite quando o jogo fica difícil nunca mais vestirá a camisa amarela…Graças a Deus.

O craque voltou e a dez é dele com todos os méritos!

Fantástico, ou melhor Santástico. Agora sim o Santos é líder absoluto na luta pela Libertadores, torço demais por este time.

PS.: Só não vamos contratar o Muricy para derrubar mais um ótimo time de forma vergonhosa em mais uma Libertadores.