É macho mesmo!!

Quando o Felipão chegou no Palmeiras fiz questão fazer um extenso texto neste blog com minha opinião pessoal sobre o treinador. Coloquei neste minhas impressões dos tempos de Palmeiras, Cruzeiro, Portugal e um pouquinho de Chelsea e o resultado foi esse link aqui. Quem não tiver lido dê uma olhadinha que nele explico certinho minha linha de raciocínio.

Quem lê meu blog com certa regularidade ou conhece minhas preferências esportivas sabe que não gosto técnicamente do Felipão. Acho o treineiro taticamente previsível e fraquíssimo. Quando ele não opta pelo esquema Muricy com bicuda para o mato e bola parada nos pés do Arce ou do Marcos Assunção ele escolhe o esquema com um atacante e dois pontas, mas sempre dando bicuda para frente. O resultado disso são os incontáveis empates e vitórias de meio a zero sobre o seu comando. Futebol que é bom nada.

Imagino que de certa forma tenha ficado bem óbvio que este texto não é nada daqueles tipos: “blá, blá, blá, Quando Felipão chegou eu pensava assim, mas hoje ele me fez mudar completamente de opinião e eu o acho o melhor treinador de todos os tempos e blá, blá, blá e blá, blá blá.”

Muito pelo contrário, continuo achando o Felipão técnicamente ridículo, mas neste último ano de Palmeiras o Gauchão ganhou completamente minha admiração.

Felipão perdeu o apoio da diretoria anterior (que já não valia muita coisa), é completamente contestado pela diretoria atual, que o acha caro demais, utilizado como escudo declarado contra a torcida e herdou um Palmeiras desorganizado dentro e fora dos gramados com uma nação mais chata que o natural em vista dos fracassos das últimas décadas, principalmente de 2008 com o Muricy.

E mesmo assim o Felipão não larga o osso.

Metade destes problemas já seriam suficientes para mandar um monte de pseudo-treineiro pro Qatar ganhar os petro-dólares, ou para qualquer outro time com melhor perspectiva. Conheco um técnico que saiu de um time porque supostamente haviam ratos nos vestiários :).

Felipão não é burro, ele sabe que só não é demitido porque é o único escudo da diretoria contra a torcida. Sabe que o Palmeiras atual não tem condições de brigar por nada e que politicamente a situação tente a explodir e mesmo assim ele está lá, dando esporro na diretoria, no time, na torcida e em quem mais ele achar que deve. Por não ser burro ele com certeza sabe que se ele não conseguir dar jeito no Palmeiras ninguém dá.

Quando Felipão veio para o Verdão eu conversei com um grande amigo Palestrino. Ambos pensamos relativamente parecido e sabemos que o professor não é aquele primor técnico, porém para a instituição Palmeiras ele é de longe a melhor opção que existe.

Os problemas do Palmeiras não estão dentro de campo, se estivessem o Luxa com certeza teria dado jeito na sua última passagem por lá. O pior é que ele quase conseguiu, mas esbarrou em problemas que vão muito além de esquema tático e tudo mais. Luxa caiu quando a diretoria e a torcida revolveram queimá-lo vivo por causa de uns dois ou três empates, depois do único título do Palmeiras nos últimos dez anos.

Para suportar este tipo de situação só o Luiz Felipe, isto é incontestável, por lá, ele é incontestável.

Hoje Scolari enfrenta um dos piores momentos de sua passagem pelo Palmeiras. Os resultados no campo não aparecem, a diretoria joga contra, a torcida cisma em idolatrar jogadores que mais atrapalham do que ajudam e pegar jogadores que estão resolvendo como Luan e Marcos Assunção para cristo e mesmo assim o Gaúcho afirma que não sai do Palmeiras por nada.

É por amor ao Palmeiras, com certeza também é, mas vejo isto como algo que vai além. O mesmo motivo que impedia o treinador de vir há uns cinco anos atrás quando a torcida clamava sua volta o impede de ir embora.

O homem tem palavra e acima de tudo ele é macho pra caralho de segurar a bronca sozinho e infelizmente para o Palmeiras neste momento ele segue cada vez mais sozinho e é justamente por isto que ele ganha cada vez mais meu respeito e admiração.

O custo benefício do “craque”

Já comentei aqui neste blog o quanto admiro Andrés Sanches. O dirigente do Corinthians revolucionou todo o mercado da bola brasileiro, desde o marketing, até os contratos de televisão mais recentemente. Ah, só deixando bem claro que não entro nos méritos se o cara é bandido, bicheiro, se ele se envolve com torcida organizada ou o diabo a quatro. Ele não vai se casar comigo nem com a minha filha, só estou avaliando sua administração de futebol, e isto é inegável, ele é o melhor.

Com Andrés o Brasil aprendeu que jogador de futebol não é só gasto, com ele os jogadores passaram de custo a receita no mercado brasileiro.

Pensando alto o Corinthians foi atrás do maior de todos desta geração, Ronaldo, e o fenômeno veio e resolveu para o Corinthians dentro e fora das quatro linhas de cal. De um dia para o outro a receita de marketing alvinegra passou de vinte milhões para mais de sessenta, o mesmo aconteceu com a visibilidade do time.

Embarcando nessa onda voltaram Roberto Carlos, Robinho, Elano, Valdivia, Felipe, Luiz Fabiano e o Ronaldinho Gaúcho. Passado algum tempo podemos comparar o impacto das contratações. Na verdade vou comparar mais Robinho e Ronaldinho Gaúcho. Para ser sincero não acho que os outros tenham condição de ser comparados, nem técnicamente, nem como geradores de renda.

Roberto Carlos, Elano, Felipe, Valdivia, e Luiz Fabiano são bons jogadores, acho o Elano até craque em sua posição, mas eles não tem o carisma necessário e nem o futebol requisitado.

Robinho voltou mal e acabou entrando na onda Santástica então fica meio difícil falar sobre ele sem que o mesmo pegue uma carona na onda dos garotos da vila, mas mesmo assim era possível ver que Neymar e Ganso tinham muito mais visibilidade que o próprio Robinho, que estava mais para um coadjuvante no time. Fora dos gramados a realidade se mostrava a mesma, Neymar e Ganso estourando fora das linhas e o Robinho em segundo plano.

Lá do Rio então veio a aposta mais arriscada que o Brasil já fez. A peso de ouro Ronaldinho Gaúcho foi para a Gávea, não se esquecendo antes de se queimar com a nação brasileira inteira depois de fechar primeiro com o Palmeiras, depois com o Grêmio a ponto dos caras armarem a festa de apresentação e só depois com o Flamengo. Quando eu digo aposta mais arriscada eu me referi futebol fraco futebol da carreira do camisa dez e de sua imagem como atleta. Pelo fato do garoto ter passado sua vida inteira fora do Brasil não dava para ter uma noção do quanto ele transcenderia a rivalidade clubística, como Ronaldo teve o dom de fazer atuando nada mais nada menos que no time que mais coleciona rivalidade e antipatia no Brasil inteiro. Ronaldo teve a capacidade de fazer são-paulinos, palmeirenses e diversos outras agremiações torcerem pelo Corinthians. Digo isto por experiência própria afinal, ao contrário do meu avô um sãopaulino fanático que teria um infarto ao me ouvir confessar isto, eu comemorei demais o gol do Ronaldo sobre o Palmeiras em seu jogo de estréia.

Gaúcho não teve esta capacidade, muito pelo contrário, com atuações dignas de pena ele so conseguiu reunir deboches de rivais, e fora dos campos o Flamengo continua com uma conta atronômica e sem patrocínio.

A questão aqui é o quanto apostas deste tipo valem a pena. Luiz Fabiano, por exemplo, veio ao para o Tricolor pela bagatela de dezoito milhões de reais, o mesmo Luiz que saiu vaiado pela torcida.

Quando se tratam de contratações a um alto valor sou completamente a favor, mas somente quando elas vão me dar um retorno, não sou idiota de jogar dinheiro no lixo. Um fenômeno como Ronaldo não conseguirá ser reproduzido jamais, hoje ainda dá pra afirmar que depois de ter parado de jogar Ronaldo vende mais do que qualquer um dos que eu citei acima.

Aos poucos acho que o mercado também está caindo na real do quanto apostas caras deste tipo, não se sustentam sozinhas, sem futebol. Cicínho foi outro que veio para dar este recado. Jogador de futebol pode sim, dar entravista, fazer contratos de marketing, propagandas e tudo mais, só que antes de qualquer coisa ele precisa jogar bola.

Ronaldinho Gaúcho está conseguindo se queimar mais do que quando pipocava apenas pela seleção brasileira. Ao ter mais contato com o jogador temos também mais contato com sua limitações, e no caso do Ronaldinho pós-Barcelona, elas não MUITAS a ponto do Flamengo cogitar sua dispensa. Ninguém joga com o nome, torço demais pelo Luiz Fabiano, assim como torci pelo Ronaldinho, acho que o Brasil ganha como país do futebol, mas não me iludo, sei que estes não jogam perto do Fenômeno, mesmo achando o Luiz, se inteiro, o dono da camisa nove da seleção hoje em dia. Não por méritos dele, mais por deméritos da atual geração.

No post que fiz na vinda do Luiz, disse que não daria dezoito milhões ao rapaz, a questão é se de fato times como o Botafogo que estão se endividando para trazer grandes jogadores em boa fase estão entendendo o peso e o preço de sua aposta.

Mais uma vez torço demais pelo sucesso do time carioca, mas os custos desta loucura sobre uma possível falha podem ser pesados para o time e sua gerações posteriores. A diretoria do Palmeiras, por exemplo, está colhendo os azedos frutos de uma adminsitração irresponsável que contratou Valdivia, Kleber e Felipão pelo dobro do preço que estes valeriam no mercado.