Uma folga para o professor

Alguns treineiros tem a tendência natural de abraçar a crise e aliviar um pouco a barra do time. Na verdade nossa cultura burra busca sempre um bode expiatório ao invés de perder alguns minutos pensando na raíz real do problema. Na prática derrubam-se algumas cabeças e isenta-se as principais figuras (aqueles que jogam, tá?). Figuras como Felipão e Luxemburgo se expôem, a final, tem ao que provar, deles se espera cada vez mais, e os dois sempre acabam dando algumas satisfações que de fato devem, mas não sozinhos.

Se o seu time não tem jogadas, padrão tático, escalação ou sequencia, você coloca na conta do técnico.

O Palmeiras de hoje tem certo padrão tático, sequencia, e é relativamente bem escalado. Pergunto ao torcedor mais corneta e amendoim que seja: O que você mudaria na escalação atual?

Você pensa, pensa, faz uma ou duas variações e tals, mas não sai muito da escalação de hoje.

Como eu já disse neste blog, não sou um fã do Luiz Felipe, na verdade o acho bem limitado, mas quando o seu time ganha de um a zero e joga praticamente quarenta e cinco minutos com dois jogadores a mais e ainda toma o empate você não pode por nada neste mundo coloca na conta do treinador.

Assistindo ao jogo eu ví um Felipão se esguelando com o time para que este jogue para frente e meia dúzia de zagueiros e volantes tocando a bola de lado como se vestissem a camisa do Quinze de Piracicaba.

Não dá para culpar o treinador, o cara colocou o time pra frente, meteu o Maikon Leite pela direita e metade do time acha que é justo tocar a bola em direção a retaguarda.

Eu pouco assisto aos jogos do Palmeiras, pra dizer a verdade assisti este jogo e um contra o Atlético Paranaense em Curitiba e nos dois o Palmeiras foi motivo de risos. Lá no sul o Palmeiras ganhava de dois a um se não me engano, tocando bola tranquilamente, e em um segundo os jogadores conseguem a proeza de fazer um pênalti contra.

Isto não vai pra conta do técnico, o povo se esquece que quem corre são os jogadores e quem toma um empate jogando contra nove jogadores também são eles. Não me levem a mal, perder o Atlético Goianeense já é feio, mas acontece, agora perder contra nove jogadores que somados não recebem o salário do Kleber beira o surreal.

Sinceramente, já não sei mais o que pensar do Palmeiras, o time não é tão ruim quanto pregam, nem tão bom, só consigo pensar que estão tentando derrubar o treinador e treineiros como o Felipão jogam em cima da raça e do comprometimento do time, brigas com a torcida e com a diretoria engrandecem treinadores como ele, mas não fechar com o time e perder este trunfo psicológico que o acompanha sua carreira inteira o torna um treinador mediano para ruim, pois só de técnica ele não sobrevive.

Realmente não sei o que pensar, se o Palmeiras realmente chegou no ponto em que a diretoria e o timem querem derrubar simplesmente o maior ícone palestrino dos últimos vinte anos é porque está na hora de fechar o departamento de futebol e investir em basquete, vôlei, carnaval ou qualquer coisa assim pois a vergonha na cara já sumiu faz tempo.

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