Existem clássicos e clássicos

Sou são-paulino de nascença e fanático. Muito mais torcedor do que alguns outros são-paulinos pensam que sou quando conversam comigo. Como torcedor fanático aprendi desde pequeno a respeitar um clássico como aquele jogo que você não fala, não ouve e não confraterniza… Não era um dia de futebol, era um dia de clássico!

Mais novo eu tinha o clássico como aquele dia que você não respira direito e a barriga começa a apertar umas cinco horas antes do jogo. Não existe rival, não existe amigo nem mais nada. Sou eu e meu time, e os poucos que ultrapassavam esta barreira não eram recebidos da maneira mais cortês.

Finalmente eu cresci e deixei de ser burro!

Os clássicos continuaram não sendo um dia comum de futebol, se tornaram muito mais, viraram praticamente uma ode ao futebol. Esta maturidade me proporcionou um privilégio que poucos têm aqui no Brasil: passei a apreciar um Cruzeiro e Galo com o mesmo prazer que eu assistia meu time a jogar contra o Corinthians. Acreditem, continuo amando meu time com a mesma intensidade de sempre, enganam-se os que pensam que vesti qualquer tipo de casaca. A única diferença é que quando menor eu nunca gostei de futebol, eu gostava de São Paulo Futebol Clube, agora, eu amo o São Paulo, mas aprendi a ver a beleza do futebol brasileiro. E admito que estou muito melhor assim.

Dei voltas e voltas neste resumo futebolístico da minha vida apenas para compartilhar com vocês que não suporto mais os clássicos do estado de  São Paulo. Não os suporto porque os mesmos morreram há alguns bons anos.

Neste Domingo eu tinha uma escolha centenária para fazer, assistir há um tradicionalíssimo Santos e Palmeiras ou a um mágico Fla-Flu? Escolha mais do que fácil, admito. Fla-Flu sempre!

Os clássicos do estado de São Paulo são uma ofensa ao futebol mundial, são ridículos. Um jogo com bicuda, trombada, agressão e covardia que nem Muricy, Felipão e Parreira juntos conseguem colocar algum tipo de defeito. Não assisto a um clássico paulista há um bom tempo, mas garanto que o leitor que procurar em qualquer arquivo de internet encontrará escalações com um time inteiro de zagueiros e volantes ao somar os dois times.

Não assisti ao jogo de hoje entre Santos e Palmeiras, mas pelo que ouvi falar devia haver uns quinze volantes e zagueiros em campo, seis só do lado que joga de verde. Me recuso a comentar qualquer jogo deste nível, se eu quiser ver pancadaria vou para o MMA, se eu quiser ver um jogo truncado cheio de pancadaria existem opções melhores que o futebol.

Me pergunto constantemente quando e como foi que isto aconteceu? Quando o futebol paulista se esqueceu do que representa e o carioca retomou suas origens?

Tenho certeza que parte deste lixo futebolístico é um reflexo cultural. O povo carioca segue como sempre irreverente, arrojado, e sempre priorizando a individualidade. O paulista, chato e pedante de nascensa, viu no futebol pragmático a oportunidade de chegar a lugar nenhum. Não entendo um povo que pensa que atingirá a hegemonia de qualquer esporte ao deixar de pratica-lo.

Hoje o Brasil assistiu um à um Flamengo e Fluminense digno de futebol brasileiro, um jogão, o paulista que resolveu assistir um clássico da casa assistiu a um jogo ridículo, como o último São Paulo e Corinthians e todos os outros clássicos que consigo me lembrar.

Enfim, eu realmente sinto por escrever estas palavras e por ter este tipo de sentimento, mas finalmente esta gente pragmática, chata e arrogante conseguiu destruir o que tinhamos de melhor neste estado.

Destruíram homeopaticamente. Primeiro proibindo nossas bandeiras, agora tentando destruir as organizadas, preferindo os volantes aos atacantes, o um a zero ao cinco a quatro e tudo o que faz do futebol a maior invenção do homem.

Nosso povo hipócrita está quase vencendo, e em breve seremos perfeitos babacas que torcem sentados em nossas super tecnológicas e elitistas. Ficaremos orgulhosos em pagar cento e oitenta reais o ingresso e simplesmente aplaudiremos um lindo gol bicicleta como bons Europeus sem identidade que nos esforçamos para ser.

As vezes eu realmente espero que isto aconteça pois então, NÓS, o povo aqui de São Paulo, teremos tudo que merecemos. Um rio cheio de merda e um futebol que anda tanto quanto nosso trânsito. Aí talvez pararemos de nos preocupar com bobagens como futebol e focaremos no trabalho, afinal, somos paulistas, a locomotiva que move este país e carrega o resto do Brasil nas costas não é?

PS.: Vomitei demais ao escrever este texto, acho que a parte brasileira que vive em mim não suporta mais o paulistinha arrogante que precisei acordar para escrever este último parágrafo, mas garanto a todos vocês que farei o máximo para corrigir este defeito de minha personalidade.

Viva o Fla-Flu, o clássico mais bonito do mundo!

E aos queridos amigos tricolores, não foi roubado como disseram que foi. Houveram duas bicudas de fora da área lindas, que nenhuma tática ou técnica consegue parar.

O Flu jogou demais e está jogando demais e tem tudo para continuar sua sequencia.

Brigando com a arma

Acho impressionante o comodismo das autoridades brasileiras quando se deparam com alguma questão que expõe sua incompetência. Este é só mais um daqueles assuntos da sociedade que se estendem e vão parar para dentro das quatro linhas de cal do futebol.

No Brasil, se dez por cento da população consome bebidas alcoólicas, o governo retira o direito de outros noventa por cento de beber uma quantia razoável de álcool e ir para a casa na segurança e comodismo de seu automóvel. No fim das contas fodemos a maior parte da população apenas porque somos incapazes de punir com rigor e controlar a minoria foco do problema. O que me deixa mais intrigado é que pessoas que fazem parte dos noventa batem palmas para esta atitude ditatorialista afirmando ser a melhor e única solução. E de tão hipócritas que são conseguem discutir e sustentar esta opinião em uma mesa de bar prestar a voltar para casa dirigindo seu carrinho.

Lindo!

O brasileiro tem uma tendência natural tão grande a hipocrisia que deveria até ser motivo de estudo.

Se a violência cresce retiramos o direito do cidadão de portar uma arma.

Para cuidar da saúde da população proibimos todos de fumarem onde bem entenderem.

Antes de qualquer coisa, não sou fumante, alcoólatra e nem colecionador de armas, só sou consciente o suficiente a ponto de reivindicar meus direitos e saber que se eu quiser começar a fumar daqui a cinco minutos no Buteco do Zóio (bar de um grande amigo meu aqui do lado de casa), não farei o meu parceiro ser multado, mesmo estando em um estabelecimento privado com a condescendência do dono.

Mais uma vez os brasileirinhos classe média padrão adoraram a medida ditatorialista, afinal, diferente de mim são todos conscientes demais para fumar, e óbviamente acham um hábito nojento. E claro, como bons classe média padrão só conseguem olhar para o próprio umbigo.

Enfim, eu poderia lhes citar milhares de tópicos como estes que fogem do senso comum e acabam se perdendo no limbo da hipocrisia brasileira. Repudiamos o aborto, as drogas, mas todos já conhecemos histórias de mulheres que se feriram ou morreram em abortos clandestinos, todos temos aquele amiguinho que sempre tem aquela “bucha” ou “pino” quando requisitado. De exemplos este assunto está cheio, mas como é de costume neste blog vou me ater ao futebol.

Recentemente a Macha Alviverde foi proibida de ir aos estádios. Mais uma vez na incapacidade de controlar dez por cento fodemos noventa.

Gostariam de saber minha opinião sobre as torcidas organizadas de um modo geral? Adoro, todas!

Acho as torcidas organizadas a essência do futebol, elas são no mínimo uns sessenta por cento do espetáculo. Vocês já viram torcedor comum abrir mosaico, bandeira, cantar em coro para o time? Resumindo, vocês já viram o torcedor comum ser o décimo segundo jogador do time em campo?

Eu lhes respondo, nunca!

Torcedor comum torce, faz sua festinha e tudo mais, mas o que dá a beleza ao espetáculo é a organização (não me diga). A ralação da galera que ensaia até de madrugada antes de jogo e viaja metade do Brasil atrás do time.

O mesmo torcedor comum que quer o fim das organizadas é aquele que fica encantado com o bandeirão, se empolga no coro, e adora ver o efeito das bexigas.

Imagino que o tocedor que quer o fim  das organizadas tenha a consciência que o Palmeiras jogará as moscas metade dos seus jogos a partir de agora. Não é só o Palmeiras não, por mais que eu não goste da Independente eu reconheço que se não fosse ela o São Paulo jogaria para duzentas pessoas metade dos seus jogos. Achar que é o torcedor comum que lota estádio e dá show é lindo, mas não é a realidade, torcedor comum só vai na boa. A própria torcida corintiana, tão fiel que é, se você tirar as organizadas você tira uns setenta por cento do publico alvinegro.

A FPF baniu a organizada palmeirense dos estádios? A população está satisfeita com isto? Perfeito. Então que TODAS as organizadas do Brasil sofram as conseqüências. A final, são todas organizadas, não são? O problema não é este?

Mais uma vez o Estado passa um recibo de incompetência, e em função de dez por cento de pessoas ruins dentro de uma organizada destroem o direito de noventa por cento de palmeirenses de ir ao estádio abrir o bandeirão do seu time. E mais uma vez a população adora e se dá por satisfeita sem notar que mais dia ou menos dia serão os próximos a perderem seus direitos!

Tão hipócrita, interessante e acima de tudo tão brasileiro!

Cuidando dos pequenos

É impressionante como quando olhamos de outra perspectiva, algo que parecia a solução pode até virar problema e o que era problema fica mais confortável.

Como todo ser pensante sempre fui defensor da tese de que um time tem que ter um futebol de base forte. É ele que garante o futuro do clube com as vendas e com a qualidade a baixo custo. É claro que tudo que é bom na teoria sai um pouco torto na prática.

Perdi as contas da quantidade de moleques que ví “desaparecendo” da base do São Paulo Futebol Clube e “aparecendo” jogando muita bola por aí. Bruno César, Keirrison e mais um monte de gente que não consigo puxar na memória neste momento. Perdi a conta também da quantidade de moleques que eu ví jogar demais no sub-15 e sub-16 que simplesmente são varridos dos registros do clube, não vão para o sub-17 e então depois de alguns anos aparecem fazendo sucesso em algum lugar do mundo. Não posso deixar de citar os que se destacam e na hora de subir para o profissional são vendidos e vão para a Europa sem nunca ter jogado uma partida pelo futebol profissional, este é o caso do goleador Lucas Piazon. Por fim, mas não menos ruim é quando o jogador vai para o profissional e com três partidas bem jogadas ele já dificulta sua renovação, espreme o clube que o lançou e aí abraça a primeira proposta do exterior que lhe é feita. Da atual geração podemos citar o Paulo Henrique Ganso e o próprio Casemiro.

Óbvio que você leitor entendeu que apenas usei a base do São Paulo como exemplo, pois eu a conheco com mais detalhes, mas este problema é um problema que atinge a todos os clubes brasileiros.

Aí eu lhes pergunto:

Vocês realmente acham que o Palmeiras não lança porra nenhuma há uns DUZENTOS simplesmente por que não tem estrutura? Porra, vaí me dizer que a estrutura do Santos é tão melhor que a do Palmeiras assim?

Estranhamente os moleques do Palmeiras estão desaparecendo igualzinho os jogadores são-paulinos que já ví sumir por aí.

A própria base do Corinthians. Vocês realmente acham que o que tem de melhor lá é o fraco do Dentinho? Não consigo me lembrar qual foi o último jogador bom mesmo que o Corinthians lançou.

Nós pobres mortais não temos noção da quantidade de moleques da nossa base que são vendidos, repassados e se perdem por aí antes mesmo dos quinze anos.

Quando o assunto é o nosso clube nós tendemos a tomar uma postura alienada de vítima, mas se pensarmos um pouquinhos conseguimos ver que um empresário tem poder para forçar a saída de alguém da base porque este clube deixou e principalmente: porque esta situação é comoda e acordada com os dirigentes do seu clube. Quando vemos um garoto que nunca vestiu a camisa do time ir pra Europa a gente fica com dó do dirigente achando que ele tomou o cano do empresário, só que esquecemos que quem repassou os direitos do jogador ao empresário foi o próprio engravatado a frente do seu clube. E se ele fez, como sempre faz, o fez por puro interesse próprio, $e é que me entendem.

A base é uma fábrica de craques, mas muito mais que isto é uma fábrica de dinheiro.

Se dez jogadores do sub-15 se destacam seis sobem para o sub-16, os outros quatro viraram dinheiro, e muito dinheiro.

Já adivinou pro bolso de quem né?

Ou você também acredita na história da carochinha de que o cargo de dirigente do seu clube não é remunerado e ele está lá por puro amor. Confesso que pela dor de cabeça que deve ser esta merda nem eu que sou fanático pra caralho arriscaria ter um ataque cardíaco não remunerado.

Não dá pra ter base nos moldes de hoje em dia, aos poucos infelizmente estou mudando minha opinião sobre o futebol de base de um clube. Se não é pra ter seriedade é melhor nem ter.

Não é mais fácil contratar uma duzia de olheiros bons e ficar roubando jogador da base de outros clubes por aí? É mais barato, fácil, lucrativo e dá menos dor de cabeça também. Sem falar que a chance de só sair jogador de bom nível aumenta demais, né?

O desgosto diminui também, pois o moleque não foi criado como uma jóia desde o dente de leite e simplesmente trocou o seu clube de coração pra jogar em algum lixo da Ucrânia por aí.

Parabéns Gigante

É campeão Vascão, parabéns Gigante.

Finalmente dá pra soltar o grito emperrado faz duas semanas!

Confesso que quando o time venceu o Avaí eu não me contive, fiz um post sobre a grandeza do Vasco e sua incrível retomada. Pra mim não importaria o resultado da final. Campeão ou não o Gigante da Colina estava de volta e já era uma realidade no cenário nacional. O título em si não representaria nada comparado à satisfação de ver o Vascão brigando novamente em alto nível por um campeonato.

É magia negra, mandinga, vodu?

Não.

A resposta é tão simples quanto antiga.

Trabalho e seriedade.

O Dinamite merece um busto em São Januário e na CBF por tudo que fez pelo Vasco e pelo futebol brasileiro, dentro e fora de campo. Humilde, quieto ele foi subindo um degrau de cada vez, até finalmente re-colocar o Gigante em uma posição que jamais deveria ter saído.

O jogo final? Foi lindo e com um toque de Vasco, um toque de sofrimento.

Quem assistiu a final da Mercosul de 2000 sabe o que é este toque de Vasco. Lembro-me deste como um dos maiores jogos de futebol que já vi na vida. Até hoje brinco com um amigo palmeirense que foi dormir (para trabalhar no dia seguinte) quando o Palmeiras fez três a zero crente de que o título estava ganho. Pobre, coitado, não conhecia o baixinho e nem o Vascão.

A Libertadores aguarda o Gigante da Colina, com muito trabalho e seqüência o Vasco chega sim como favorito, como qualquer time grande brasileiro deve ser em qualquer competição.

Indo um pouco na contramão da euforia dos jornais eu lhes pergunto caros amigos:

Ricardo Gomes de um ano para o outro virou um gênio?

Jogadores como Eder Luiz e Alecssandro se tornaram craques do dia para a noite?

É claro que não.

Não viraram gênios, assim como não eram os piores profissionais. O Vasco dá uma lição para qualquer um ver. Para ganhar é preciso comprometimento. Da diretoria com o técnico, do técnico com o time e do time com a torcida.

A diretoria tem que tratar o técnico como profissional, dar recursos pra ele fazer o bolo. Até hoje por mais genial que fosse um técnico nunca vi alguém ganhar algo com um monte de jogares ruins. Nem os mais gênios, de Telê a Luxemburgo, ninguém faz milagre.

O técnico tem que ser parceiro do time, fechar com o mesmo. E o principal, o time tem que tratar a torcida como seu maior patrimônio e não como um banco de clientes de ópera que vão ver um show na Quarta e no Domingo e que quinze minutos depois param de vivenciar o que acabaram de presenciar.

Todos têm que entender que o futebol é a vida dos brasileiros. É o MEU São Paulo, o SEU Vasco, Corinthians ou Palmeiras. Aquele time é MEU, é a minha história que está em jogo, é a minha vida.

Não brinquem com isto.

Hoje o Vasco, diretoria e elenco, ensinam uma lição ao Brasil inteiro. Honra ao manto.

Honrem o meu manto porra! Ele é a minha pele.

Bem Vindo de Volta

Bem vindo de volta!

É só isto que nós podemos dizer a um gigante quando este acorda de um pesado sono.

Finalmente Vasco retomou um posto que jamais deveria ter encostado.

A fórmula é tão simples que qualquer idiota feito eu consegue entender: humildade, organização e uma diretoria comprometida com o time e com a torcida. Ao contrário de outros times grandes o Vasco não sofre com a carência de bons meias, o Vasco tem quatro meias de bom nível. O elenco não é recheado de estrelas, mas é equilibrado. O time se reforçou, manteve a sequência de um trabalho e hoje colhe os frutos. Todos os méritos para uma diretoria trabalhadora e silênciosa.

Pergunto quantas vezes vimos o Roberto Dinamite na mídia com declarações polêmicas ou qualquer outro tipo de notícia onde o Vasco não fosse o foco?

O Vasco nos prova mais uma vez que quem é grande ou melhor gigante jamais se apequena.

Um time grande que conhece sua história e a responsabilidade que carrega no peito ganha de um nanico em qualquer lugar do planeta, em qualquer condição. O jogo pode ser na Ressacada ou no Couto Pereira o gigante sempre vence. Não existe lógica, é a parte do futebol que eu adoro tanto: O sobrenatural.

Os mais amargos dirão que é só a Copa do Brasil e no estadual o time não convenceu.

Eu lhes digo, não é só a Copa do Brasil, é A Copa do Brasil. Eu dúvido que são paulinos, palmeirenses e flamenguistas não quisessem realmente ganhar esta competição. Desmerecer é apenas mostrar o tamanho da sua dor de cotovelo.

Este ano é a Copa do Brasil e ano que vem tem Libertadores, pode escrever aí.

Desligando o modo torcedor fanático eu posso lhes garantir uma coisa, vencendo ou não o Coritiba (óbvio que o Vascão é favorito) o Gigante da Colina já nos provou que volta para o cenário nacional forte e isto é o que importa, muito mais do que qualquer título.

Não foi uma classificação daquelas sem querer que você oha e vê que aquele time não deveria estar alí. Quando vemos o time do Diego Souza hoje vemos consistência, bom toque de bola e inteligência, coisa que nos faz ter ótima perspectiva para o campeonato Brasileiro.

Ganhar ou perder é do futebol, mas que este time está jogando uma bola redondinha isto ele está.

Ter o Vascão de volta é fantastico. Ótimo para os rivais, o campeonato, a torcida e o Brasil inteiro.

Por isto que eu digo, bem vindo de volta Gigante.

PS.: E o Diego Souze ein, é só este maluco colocar a cabeça no lugar que tem vaga cativa com Mano Menezes.

Apenas remando a favor

É impressionante como uma minoria, em geral mal intencionada, tem o poder de mudar a opinião pública de forma concreta em relação ao foco de um problema.

Virou rotina no Brasil inteiro depois dos estaduais e da Copa do Brasil, crise nos times perdedores. As vezes porque seu time perdeu para um rival estadual sem qualquer resistência ou porque caiu na Copa do Brasil nas mãos de um nânico qualquer, mas é certo que haverá crise.

Peguemos por exemplo São Paulo, Corinthians e Palmeiras.

Após o período que mencionei conseguiamos ver nos três clubes meia dúzia de torcedores “organizados” protestanto contra algo que eles nem sabem direito, mas estão lá, chutando carro de funcionários e pixando muros. O mais estranho é que de alguma forma a mídia e o clube veiculam aquele grupo de trinta ou quarenta como se de fato transparecessem a opinião dos 15, 20 ou 30 milhões de torcedores que realmente formam a engrenagem. Parte desta multidão acaba de fato sendo contagiada com algum sentimento de que aqueles caras vestidos com camisas organizadas estão brigando por algo melhor para o seu clube e parcela significativa destes torcedores (em geral os de internet) apenas apoiam esta meia duzia, mais uma vez não sabem o que estão apoiando, quem ou pra quê.

O problema é que o torcedor comum nem faz idéia do que de fato originou o protesto e o seu objetivo principal.

Antes de mais nada é necessário esclarecer uma coisa: Organizada nenhuma cresce sem a ajuda de dirigentes.

Independente, Mancha ou Gaviões. Todas tem um papel político dentro do clube. Quando não é com a posição é com a oposição e as vezes é com os dois (estes casos são os mais destrutívos para o clube).

Vamos tomar o Tricolor Paulista como exemplo.

Creio que qualquer ser com capacidade de raciocinar um pouco consegue concluir que o problema não é o Carpegianni, o Lucas, ou Juan e outros alvos dos protestos, pelo menos não são só eles. O Carpa tem os seus defeitos, com certeza. O Juan não joga nada, talvez, mas o estranho é que ha três semanas atrás, quando o mesmo time era lider do Paulista ninguém fez protesto quanto a capacidade técnica destes e de outros, e o Lucas era um craque maior que Neymar.

A culpa é realmente do técnico quando sua diretoria não lhe dá um lateral direito, primeiro volante, um meia e mais uma porção de posições carentes? Parcela da culpa é dele e dos jogadores sim, não vamos apadrinhar ninguém, mas a parte que de fato tem culpa está sendo conveninentemente esquecida em meio a estes protestos.

Por que não foram protestar e chutar carro quando o Juvenal Juvêncio criminosamente alterou o estatuto para virar o Eurico Miranda do Morumbi? Já que nenhum diretor, ou conselheiro é homem o suficiente para se colocar contra o Juvenal, porque a torcida não teve saco roxo pra tirar o Juvenal de lá ela mesmo?

Vemos na segunda de manhã a torcida na rua protestanto contra o técnico, jogador e quem mais eles se lembrarem, só que oportunamente deixam a diretoria fora de foco.

Este é o caso das manifestações desta semana? Não sei e nem tenho como provar, mas que tem todas as características tem.

Esta prática acontece tanto quando diretor da oposição dar uma grana para a organizada para eles irem cornetar a posição.

As vezes o diretor da posição manda a organizada para o CT só para dar um susto nos jogadores pra ver se surte algum resultado dentro de campo.

O caso do Palmeiras é bem parecido com o São Paulo.

Técnico e jogadores de fato tem parte da culpa, mas ninguém se lembra de diretor que vira e mexe dá declarações CONTRA o próprio time, os problemas internos que as brigas entre as diversas chapas causam dentro das quatro linhas e mais uma série de decisões egoístas que nunca tem o clube como principal beneficiado.

E isto não é de hoje não, isto está no Palmeiras desde que o Palmeiras é Palmeiras.

Antes de qualquer coisa tenho de dizer que não sou contra organizadas ou protestos. As organizadas (com suas exceções) são as responsáveis pelos shows mais bonitos que já ví nas arquibancadas pelo Brasil, e os protestos são necessários, mas com inteligência e não manipulados e acéfalos.

Seja sincero e busque da memória algum protesto de organizada que de fato teve um efeito positivo para o seu clube. Eu só consigo lembrar de torcida dando pretesto para Vagner Love ir embora, queimando Kaká, Luiz Fabiano (o mesmo que ela idolatrou há um mês)  e mais uma porção de moleques que hoje mostram que são bons de bola.

Não tem jeito de um protesto sem o mínimo de critério e organização dar um resultado positivo para o clube.

Eu só me pergunto uma coisa, porque estas organizadas antes de ir lá chutar carro de jogador não resolvem de fato torcer para o time. Digo isto porque em poucas situações eu vi uma organizada aqui do estado de São Paulo de fato torcer pelo clube, em geral estão muito mais interessados em cantar que são os mais temidos do Brasil, que eles colocam Porco, Galinha ou Bambi pra correr, ou que tocam o terror por onde passam.

Você como jogador, se sentiria honrado em jogar pra um monte de gente que não dá a mínima para futebol?

É claro, não é motivo pra jogador reclamar, mas estou só mostrando um cenário.

Aí eu lhes pergunto: Jogador pode fazer protesto contra a torcida também?

Desrespeito, firula, mimimi

Este post surge nesta data exatamente para que ninguém me chame de oportunista e possa dizer que eu aproveito um momento de baixa de determinado jogador para falar mal dele ou qualquer coisa assim. Escrevo este post com a televisão ligada em Palmeiras e Mirasol, um a zero com golaço de Valdivia, e ele se apresenta bem!

Nesta semana, após Palmeiras e Santo André pela Copa do Brasil, diversos blogs meio que esboçaram uma discussão sobre o limiar entre talento, falta de respeito com o adversário, quando um drible é válido, quando não é e tudo mais. Tudo iniciado pelos tais chutes no váculo do Valdívia.

Aí eu lhes pergunto: Na regra é proibido driblar, chutar o ar, fazer embaixadinha e desfilar qualquer repertório de dribles que existem por aí?

Todos os dias a gente cobra do nosso futebol, mais lances bonitos, mais irreverência e talento, aí quando eles surgem a primeira coisa que fazemos é podá-los dizendo que humilham o adversário, não são objetivos ou que o autor dos dribles é arrogante.

Por favor, né. É mais interessante ainda quando vemos a mesma imprensa exaltando o craque Neymar depois de uma paradinha bem feita e depois chamando-o de arrogante após perder um gol por firula.

Porra, quer dizer que a diferença entre sucesso e fracasso de um lance de talendo é o resultado?

Isto é oportunismo.

Só erra quem tenta! Eu prefiro um jogador tentando um lance bonito há dez brucutús que só tocam de lado morrendo de medo de errar.

Valdivia não foi objetivo?

Claro que foi. O Santo André não acabou com um zagueiro a menos? Então valeu! Burro é o zagueiro, que acha que vai dar solada no Valdivia no meio de trinta câmeras e mais vinte juízes e não ser expulso por isto.

As vezes sinto falta da malandragem de antigamente.

Vocês conhecem um tal de Pelé? O rei do futebol e tals?

Então este mesmo é tão exaltado pelo seu talento e tudo mais, mas pouca gente sabe que ele era o rei de quebrar perna de zagueiros. Quando digo quebrar é quebrar mesmo, do cara ter que colocar gesso. Pelé batia, mas fazia escondido, aquele lance que mais parece sem querer do que intencional. Sabe quando você está andando tranquilo e “sem querer” pisa no pé do seu marcador, machuca ele e ainda saí como vítima quando ele rebate?

Isto é malandragem e inteligência, isto sobrava em Pelé e Renato Gaúcho e está em extinção hoje em dia. Veja, não estou fazendo uma apologia a violência, nem nada disso, eu só estou dizendo que se o atacante pode ser malando para forçar a expulsão do zagueiro o defensor pode fazer o mesmo, basta ter um pouco de cérebro pra fazer isto na surdina.

Agora, um cara me dá uma bicuda no meio de vinte mil pessoas merece ser expulso só pela idiotice do lance. E toda esta choradeira que rolou depois da expulsão dele é puro mimimi de gente que vai exaltar o jogador quando ele acerta e vai xingar até a última geração deste quando ele erra.

Vale lembrar, futebol é talento sim, mas sou da teoria que 70% vem da inteligência, 20% da prática e os outros 10% vem do talento. Justamente estes dez que diferenciam gente comum de Pelés e Renatos Gaúchos.

Só esclarecendo, Valdivia não entra para a minha lista de craques daí de cima só porque é um jogador de jogo fácil. Se não praticasse a magia do desaparecimento nos momentos que seu time mais precisa dele, como neste segundo tempo de Palmeiras e Mirasol, 1 a 1, até mereceria ser a metade do que é para a torcida palmeirense, fora isto para mim é só um jogador que virou “craque” mais graças as declarações de chororô contra os rivais e etc. do que pelo futebol mesmo.

Um Denilson sem grife eu diria, aquele cara que você só vê drible quando o jogo está tranquilão, sabe?

Daí que eu digo que não me aproveitei um momento baixa dele para criticá-lo.