Existem clássicos e clássicos

Sou são-paulino de nascença e fanático. Muito mais torcedor do que alguns outros são-paulinos pensam que sou quando conversam comigo. Como torcedor fanático aprendi desde pequeno a respeitar um clássico como aquele jogo que você não fala, não ouve e não confraterniza… Não era um dia de futebol, era um dia de clássico!

Mais novo eu tinha o clássico como aquele dia que você não respira direito e a barriga começa a apertar umas cinco horas antes do jogo. Não existe rival, não existe amigo nem mais nada. Sou eu e meu time, e os poucos que ultrapassavam esta barreira não eram recebidos da maneira mais cortês.

Finalmente eu cresci e deixei de ser burro!

Os clássicos continuaram não sendo um dia comum de futebol, se tornaram muito mais, viraram praticamente uma ode ao futebol. Esta maturidade me proporcionou um privilégio que poucos têm aqui no Brasil: passei a apreciar um Cruzeiro e Galo com o mesmo prazer que eu assistia meu time a jogar contra o Corinthians. Acreditem, continuo amando meu time com a mesma intensidade de sempre, enganam-se os que pensam que vesti qualquer tipo de casaca. A única diferença é que quando menor eu nunca gostei de futebol, eu gostava de São Paulo Futebol Clube, agora, eu amo o São Paulo, mas aprendi a ver a beleza do futebol brasileiro. E admito que estou muito melhor assim.

Dei voltas e voltas neste resumo futebolístico da minha vida apenas para compartilhar com vocês que não suporto mais os clássicos do estado de  São Paulo. Não os suporto porque os mesmos morreram há alguns bons anos.

Neste Domingo eu tinha uma escolha centenária para fazer, assistir há um tradicionalíssimo Santos e Palmeiras ou a um mágico Fla-Flu? Escolha mais do que fácil, admito. Fla-Flu sempre!

Os clássicos do estado de São Paulo são uma ofensa ao futebol mundial, são ridículos. Um jogo com bicuda, trombada, agressão e covardia que nem Muricy, Felipão e Parreira juntos conseguem colocar algum tipo de defeito. Não assisto a um clássico paulista há um bom tempo, mas garanto que o leitor que procurar em qualquer arquivo de internet encontrará escalações com um time inteiro de zagueiros e volantes ao somar os dois times.

Não assisti ao jogo de hoje entre Santos e Palmeiras, mas pelo que ouvi falar devia haver uns quinze volantes e zagueiros em campo, seis só do lado que joga de verde. Me recuso a comentar qualquer jogo deste nível, se eu quiser ver pancadaria vou para o MMA, se eu quiser ver um jogo truncado cheio de pancadaria existem opções melhores que o futebol.

Me pergunto constantemente quando e como foi que isto aconteceu? Quando o futebol paulista se esqueceu do que representa e o carioca retomou suas origens?

Tenho certeza que parte deste lixo futebolístico é um reflexo cultural. O povo carioca segue como sempre irreverente, arrojado, e sempre priorizando a individualidade. O paulista, chato e pedante de nascensa, viu no futebol pragmático a oportunidade de chegar a lugar nenhum. Não entendo um povo que pensa que atingirá a hegemonia de qualquer esporte ao deixar de pratica-lo.

Hoje o Brasil assistiu um à um Flamengo e Fluminense digno de futebol brasileiro, um jogão, o paulista que resolveu assistir um clássico da casa assistiu a um jogo ridículo, como o último São Paulo e Corinthians e todos os outros clássicos que consigo me lembrar.

Enfim, eu realmente sinto por escrever estas palavras e por ter este tipo de sentimento, mas finalmente esta gente pragmática, chata e arrogante conseguiu destruir o que tinhamos de melhor neste estado.

Destruíram homeopaticamente. Primeiro proibindo nossas bandeiras, agora tentando destruir as organizadas, preferindo os volantes aos atacantes, o um a zero ao cinco a quatro e tudo o que faz do futebol a maior invenção do homem.

Nosso povo hipócrita está quase vencendo, e em breve seremos perfeitos babacas que torcem sentados em nossas super tecnológicas e elitistas. Ficaremos orgulhosos em pagar cento e oitenta reais o ingresso e simplesmente aplaudiremos um lindo gol bicicleta como bons Europeus sem identidade que nos esforçamos para ser.

As vezes eu realmente espero que isto aconteça pois então, NÓS, o povo aqui de São Paulo, teremos tudo que merecemos. Um rio cheio de merda e um futebol que anda tanto quanto nosso trânsito. Aí talvez pararemos de nos preocupar com bobagens como futebol e focaremos no trabalho, afinal, somos paulistas, a locomotiva que move este país e carrega o resto do Brasil nas costas não é?

PS.: Vomitei demais ao escrever este texto, acho que a parte brasileira que vive em mim não suporta mais o paulistinha arrogante que precisei acordar para escrever este último parágrafo, mas garanto a todos vocês que farei o máximo para corrigir este defeito de minha personalidade.

Viva o Fla-Flu, o clássico mais bonito do mundo!

E aos queridos amigos tricolores, não foi roubado como disseram que foi. Houveram duas bicudas de fora da área lindas, que nenhuma tática ou técnica consegue parar.

O Flu jogou demais e está jogando demais e tem tudo para continuar sua sequencia.

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One Response to Existem clássicos e clássicos

  1. Paula says:

    Não tem atualização nesse blog?

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