Parabéns Capitão (Republicando)

Apenas republicando um post que fiz nos vinte anos do Mito no Tricolor Paulista (Bateu justamente com a eliminação de 2010 na Libertadores). Parabéns Rogério pelo seu aniversário.

Exatamente amanhã o Mito faz seu aniversário de vinte anos no Tricolor Paulista. Confesso que tremo na base ao escrever estas linhas, eu nunca vou conseguir expressar o que sinto pelo Capitão nem se nascer de novo.

Com certeza o maior goleiro do mundo em toda a carreira. Não consigo pensar em tantos que tiveram uma carreira tão vitoriosa e tal identificação com um clube. Capitão absoluto é o símbolo da década tão vencedora do São Paulo. Muito mais que isto é o símbolo de tudo aquilo que o futebol de hoje não tem.

Amor, respeito a uma camisa tão pesada e personalidade.

Essa sim.

Se tem uma coisa que admiro no Rogério Ceni é sua personalidade. Ele não faz média com torcedor ou repórter para virar o legalzão ou o humildão, sei lá. Da mesma forma ele nunca faltou com respeito a ninguém. Claro tem sempre aqueles malas que falam o que querem na hora em que o sangue está pegando fogo. Este tipo de gente acaba ouvindo o que não quer e pior, sai por aí aproveitando-se da grandeza deste homem para conseguir alguma audiência.

Tem tanta coisa que quero falar aqui que não consigo organizar idéias nem pensamentos.

É difícil você falar de um mito, ainda mais se ele está tão próximo de você. Difícil falar de uma pessoa que te fez chorar tantas vezes na alegria e na tristeza. Não conheço uma pessoa que conseguiu ficar alheio ao pranto do Capitão na queda perante o Internacional de Porto Alegre em pleno Morumbi de 2010. Me emociono só de lembrar deste dia, dia em que este homem virou Deus para mim.

É de arrepiar suas lágrimas. Não tenho coragem de procurar no youtube este momento porque sei que vou parecer uma criança chorona se assistir. O São Paulo deve demais a este homem, no passado e no presente. Neste momento tão difícil para o tricolor, é por méritos dele que não estamos na zona do rebaixamento. É ele que incendêia o sangue dos dez que entram no campo a cada jogo e os faz lembrar o que é vestir o manto.

Queria muito que esta Libertadores fosse nossa Capitão, não pelo São Paulo, mas por você. Todos sabemos que seu tempo se esvaí a cada dia e que você não é mais um garoto. Gostaria que tudo neste ano fosse diferente, você não merece isto.

Mas a mudança era necessária e será boa. Tenho certeza que como gigante que é, o clube da fé se levantará ano que vem e você nos conduzirá por mais um ano na conquista da América e do mundo.

Quero isto do fundo do meu coração.

São vinte anos de Rogério Ceni e eu quero mais mil!

Só uma história que ouví por aí.

Conta a história que um dia, lá do céu, um tal de Paulo, que era fã do esporte do povo, estava do lado do Homem e viu no time que abusadamente levava o seu nome um moleque metido a besta de roubar a vaga do guarda redes que tinha conquistado absolutamente tudo com este clube.

Justo o guarda-redes. Cara que ajudou a levar o nome de Paulo a conquistar o mundo inteiro por duas vezes. Justo o guarda redes, a posição que Paulo mais admirava por sua mística e beleza.

Paulo urrava inconformado com tamanha audácia do moleque. Do jeito dele, sem se meter muito o chefe lá em cima assistiu a indignação de Paulo. Para tristeza de Paulo o destino levou o moleque de vez pra frente do gol do time tricolor.

Paulo nada podia fazer além de aceitar que depois de tanto tempo um zé ninguém deste fosse responsável pela posição mais importante de seu time nos gramados.

O tempo passou e o menino atrevido ladrão de posições virou rei e capitão em meio a tantos outros que já haviam passado justamente em baixo das traves daquele clube. Paulo, que antes tinha suas ressalvas virou mais um súdito deste em meio a milhões.

Dizem que Paulo em 2005 aproveitou que o Chefe não estava olhando e foi até o Japão dar uma olhada numa peleja que seu grande ídolo jogaria. Paulo estava nervoso, afinal era o jogo mais importante do homem à quem ele considerava o principal representante de seu nome e sua nação.

A cada defesa histórica, Paulo pulava da cadeira do estádio. Paulo havia vindo com o intuito de interferir no jogo em prol do seu time e de seu ídolo, mas logo ele viu que não era necessário.

O verdadeiro santo já estava em campo.

Ninguém que interferisse poderia fazer algo para mudar o que este predestinado tinha escrito nos livros de sua história e história de seu clube.

Paulo só pôde então chorar de emoção ao ver o homem levantar sobre sua cabeça o mundo inteiro. Nem ele nem ninguém de sua época havia segurado o mundo inteiro em suas mãos.

Paulo sabia disso, e principalmente, ele sabia que o mundo só pode estar nas mãos de quem aguenta levantá-lo.

Paulo voltou. O Chefe não perdoou sua saída e o deixou de castigo por alguns anos, acompanhando seu ídolo de longe.

Em 2010 o destino quis que o ídolo de Paulo e de toda uma nação se ajoelhasse em meio a milhares e tombasse em sua fragilidade de menino. Paulo como todo bom torcedor não conseguiu ver uma cena destas e sem nem ligar para o que o homem achava desceu escondido para abraçar o antes garoto atrevido ladrão de posições e agora representante de uma nação inteira.

Tem gente que disse que o Chefe lá de cima puniu Paulo de novo, tem gente que diz que o Chefe não deixou Paulo voltar pra casa e sem saber realizou o sonho de Paulo que era ver seu ídolo de perto.

Privilégio só de alguns milhões até então.

Mas têm outros que dizem que o Homem não puniu Paulo, ele não teve coragem. Viu o amor que Paulo sentia por aquele sujeito e não conseguiu punir algo tão bonito que arrancava as lágrimas de Paulo e de milhões como que num golpe. O cara lá em cima entendeu que as lágrimas de Paulo não eram por ter perdido um título tão importante. Este tem no ano que vem. As lágrimas de Paulo eram por ver seu rei cair de joelhos. Isto não se faz com uma Majestade. Na verdade o Chefe lá de cima não puniu porque ele desceu junto e abraçou o rei do Morumbi, nem Ele conseguiu ver o garoto derramar seu pranto e ficar alheio a tudo isto.

Ao descer o Homem sentiu só um pouquinho do que era ser do time do Mito e sem conseguir controlar sua emoção concedeu um último desejo de Paulo.

Paulo pediu mais cem anos para o Mito, Deus negou é claro.

Tudo tem seu tempo.

O período em que os Deuses caminham na terra não pode ser prolongado.

Então Paulo pediu pra descer. E pediu para descer goleiro, com a metade do talento de seu ídolo. Descer goleiro do time que leva o seu nome.

Paulo pediu para descer principalmente para não deixar que a posição que um dia foi divina caísse na mão de qualquer outro que não entendesse  a grandeza que ela carrega.

E com a metade do talento de sua majestade ele tinha certeza que honraria o nome de seu rei.

O que Deus fez ninguém sabe. Mas a história é esta eu tenho certeza. Foi um tal de Paulo que joga bola comigo que contou.

O molequinho é goleiro. E dos bons.

Este post é mais uma homenagem que um post de informações ou opiniões sobre passagens da carreira. Existem passagens que não concordo, mas todo o Mito erra.

É no erro que nos provamos grandes.

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One Response to Parabéns Capitão (Republicando)

  1. Pingback: O homem que parou a guerra « Na Zona do Agrião

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