Imponderável? Nem tanto.

O futebol é mesmo um esporte fantástico, nada previsível, sujeito ao fator sorte e totalmente apaixonante. De fato isto é futebol, mas não é regra, na verdade o imponderável age raramente no futebol ao contrário do que muitos acreditam. Nas decisões de semifinal da sul-americana não houve a ação do imponderável, mas sim uma catástrofe escrita a um bom tempo.

Quem acompanha meu blog sabe que não comentei nenhum jogo do Palmeiras na sul-americana, exatamente porque não houve futebol. O que eu vi foi um time totalmente sustentado em cima de um jogador que passou suas decisões por pura garra e sorte. É fato, nesta sul-americana Assunção foi muito mais importante até que Marcos nas decisões de Libertadores da América.

Não falei sobre o Palmeiras porque tudo que eu tinha para falar já havia falado nos jogos do Brasileirão e fui criticado pelos Palmeirenses que pareciam não assistir os jogos de seu time. Todos dizendo que havia sim futebol havia sim padrão tático no time e etc.

Vamos ao jogo.

O Palmeiras conseguiu um puta resultado em Goiás para o que vinha jogando. Do brilhantismo de um jogador saiu o gol e por muita sorte não saiu de lá empatado apesar de estar jogando melhor e ser infinitamente melhor que o time do Goiás. Ao contrário do que alguns estão falando eu nunca ousaria dizer que o Palmeiras entrou com salto alto, se tem uma coisa que este time teve em toda esta competição foi garra e vontade de vencer, característica e mérito dos times de Felipão. O problema é que o Palmeiras é um time inoperante do meio para frente e fraco atrás. O Felipão consegue colocar tantos volantes para ser defensivo que deixa os dois zagueiros sempre mano a mano com os atacantes visto que estes volantes raramente voltam para ajudar a zaga. O meio de campo não cria, com Valdivia ou sem, não cria nada de prestativo, minhas esperanças estavam todas em Lincoln, última esperança de magia no time, mas ele também anda mais capenga fisicamente que qualquer um.

O cenário que eu descrevi acima não foi só ontem não, está assim desde que Felipão chegou. Não tem padrão tático. Tem o Kleber isolado lá na frente e por isto fácil de marcar, tem o Assunção rodando por alí sem posição definida, o Tinga de característica totalmente ofensiva tem que ficar para marcar, e aí fica na dúvida no que tem que fazer os zagueiros são bons até, mas o Danilo está sempre subindo, ele me parece um volante frustrado que virou zagueiro e eu o acho um ótimo zagueiro, um dos melhores que já ví, porém ele anda com um complexo de ataque que deixa sempre um buraco no meio.

Sempre disse neste blog e fui crucificado sempre, Felipão não é técnico. Aqui para falar que não estou mentindo, fiz isto em agosto. Demorou quase um jogo inteiro para ver que ele tinha perdido o meio de campo no segundo tempo. Vendo isto preferiu segurar o empate a matar a partida, mesmo tento totais condições para isto visto que seu time é infinitamente melhor. O time do Palmeiras tem que ser jogado com três zagueiros e dois alas. Os alas sobem a zaga nunca fica no mano a mano, coloca de volante Pierre e Assunção para Pierre cobrir as subidas do Assunção e pro ataque vai com o que tem mesmo. Outro que sempre disse que não é ídolo para o tamanho do Palmeiras é o Kleber. Meus argumentos sempre foram que na hora do pega pra capar ou o Kleber é expulso ou ele desaparece, isto não é só de ontem, só a torcida Palmeirense não conseguia enxergar isto deslumbrada com suas cotoveladas e supercílios abertos. Um cara que não tem metade do talento do Kleber, mas mostra que personalidade vale muito mais é o tal do He-Man do Goiás, o cara não joga porcaria nenhuma, mas em todas as decisões Goianas contra Grêmio, Avaí e etc. quem desequilibrou foi ele e é isto que um ídolo tem que fazer chamar a responsabilidade e resolver, é requisito básico para ser ídolo.

O gol do Goiás desestabilizou completamente o Palmeiras de ontem que jogava até mais que o Goiás no primeiro tempo, mas para mim o principal pecado do Palmeiras foi mesmo querer segurar o um a um a definir.

Enfim, este é um jogo que muitos podem dizer que o imponderável agiu e o Palmeiras perdeu, para mim foi só o fim de uma saga que foi até longe demais, arrisco a dizer que o Palmeiras não passaria do Galo se este realmente tivesse interessado na competição. Aos palmeirenses que estão lendo este post e completamente revoltados com minhas ofensas aos seus ídolos peçam que tentem ver o futebol sem a venda da paixão.

Resta ao Palmeiras apenas planejar 2011, e se quiser almejar alguma coisa em 2011 não pode vender todo mundo e contratar a baciada como fez nos anos anteriores. Este ano não foi um desastre só por causa da derrota e todos que estão lá não são os piores jogadores da terra. O Palmeiras tem sim que dar continuidade ao trabalho, mandar os inconvenientes embora e ficar com grande parte do time. Há anos o Palmeiras se destrói nos fins de temporada, acho que alguém lá não entende o básico, futebol é seqüência. Este time do Fluminense está sendo montado há no mínimo uns três anos, o SPFC campeão de 91 foi montado sete anos antes. Desmontar tudo e montar novamente é pedir para continuar sofrendo.

Por fim, não posso deixar de elogiar o Felipão quanto a sua postura na coletiva depois do jogo. Um puta homem assumiu toda a responsabilidade, isentou seus comandados, bateu no peito e falou que a responsabilidade do time é dele e que ele é o grande culpado da derrota. Mesmo não sendo ele o total culpado não tirou o corpo fora, segurou a bronca no peito e em nenhum momento jogou merda no ventilador de seu time. Uma postura de homem, elogiável nos dias de hoje onde na primeira oportunidade um coloca na bunda do outro.

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2 Responses to Imponderável? Nem tanto.

  1. Paula says:

    Realmente é mto frutrante ver um time como o Palmeiras nessas condições.
    Para completar seu post, vale ressaltar o qto o Kleber é frouxo e nao merece o titulo de lider desse time. Pediu ferias neste momento, em q o Palmeiras mais precisa de uma pessoa como referencia, ele simplesmente quer sair da pressao….
    PIPOQUEIRO!
    Q saudade daquele time que demonstrava raça e honrava a camisa palestrina….
    Lamentavel….

  2. Pingback: O futebol ainda respira, por aparelhos! « Na Zona do Agrião

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