Nasceste Gigante. Digno de toda sua Grandeza Tricolor

Nos últimos dias o São Paulo Futebol Clube iniciou sua caminhada à passos largos para uma das suas maiores crises desta vencedora década.

Tempos de crise onde o sentimento que toma cada coração Tricolor é apenas uma mistura de indignação e raiva.

Crise esta que de certa forma tomou as bases de cada são paulino. Deixando uma grande nação orfã de uma forma que os Tricolores contemporâneos nunca ficaram.

Inspirado neste sentimento é que lanço este post. Post este que não vem com a pretenção de tranquilizar o são paulino neste momento tão difícil, não tem o intuito de criticar ou apontar erros de diretoria ou jogadores, nem mesmo arranjar desculpas para o momento.

O único objetivo deste post é lembrar aos mais antigos e contar aos mais novos a grandeza do clube que gritam o nome nas arquibancadas todo o domingo. Estampar a todos a raiz vencedora deste clube que desde o primeiro dia de vida batalhou contra os que lhe eram contra. Uma belíssima historia forjada e ferro, fogo, suor e sangue.

Gostaria passar a cada Tricolor que a grandeza de seu time não se mede por títulos, não se mede por valor de patrocínio e muito menos através de cotas de TV e valores de ingresso.

O São Paulo Futebol Clube é muito maior que isto.

O futebol é muito maior que isto e a história deste gigante não pode ser resumida em três ou quatro anos vencedores como 2005 à 2008, muito pelo contrário, estes anos não representam nada na emocionante saga do Tricolor entre inúmeras difículdades e vitórias.

História e tradição é uma coisa que não tem preço, não vale estádio novo, não vale Libertadores nem Mundial, não é uma coisa que se compra ou se incuba em um laboratório.

Aos mais novos tentarei mostrar que o verdadeiro São Paulo não é este da crise, nem mesmo o São Paulo do tricampeonato. O verdadeiro São Paulo é aquele gigante que sempre sempre foi digno da história que escreveu.

Um São Paulo que honra o seu passado e à todos os que contribuíram com seu crescimento.

Um tricolor escreve em letras maiúsculas páginas inesquecíveis no grande livro do futebol brasileiro.

Do sentimento de escrever história nasce um gigante. Morre um vencedor e renasce digno da eternidade.

Originado da únião de dois pequenos times motivados pela simples paixão de jogar futebol amador e dispostos a se juntar para entrar para história nasce o São Paulo da Floresta. No aniversário da futura maior cidade do país este gigante surge sem se envergonhar da sua pequena história e origem, preservando as cores dos que lhe deram origem e visando a imortalidade.

Um clube que nasce vencedor e orgulhoso das pesadas pegadas que traçava. No seu primeiro ano de vida alcança de forma incomum o título paulista de 31, se torna vice-campeão em 30, 32, 33 e 34.

Resultados estes que não mostram em sí a grandeza do feito de nos primeiros anos de vida figurar tão bem em um cenário dominado pelos já tradicionais e grandes Corinthians, Palestra Itália, Santos e Portuguesa.

Começo este que como todo nascimento não foi dos mais fáceis, o clube era motivado pela simples paixão de ostentar suas cores. Jogadores que nada recebiam eram o espelho do amadorismo que dominava o mais caçula dos paulistas.

O clube, a torcida e a vontade de ser grande motiva o tricolor à compra de uma sede. Sede que mostrava o tamanho da ambição são paulina porém nada nesta história poderia vir sem sangue e vindo como uma sonora sirene com a missão de não deixar o São Paulo esquecer-se da humildade de suas origens o São Paulo encara sua primeira crise da história.

Crise mortal para um prematuro gigante dos pés de barro.

Tempos onde a política de gente oportunista, as divídas vindas das gestões irresponsáveis superaram o coração brasileiro e fecharam o departamento do futebol tricolor deixando uma pequena parcela do que um dia seria a nação tricolor orfã.

Morre então um prematuro vencedor.

Política nojenta que como um câncer corroeu as veias tricolores e levou deste o pequeno patrimônio que havia conquistado as custas de sangue e suor.

Mas como a vida nunca nos deixa esquecer, pela primeira vez o coração tricolor supera todas as barreiras impostas e pelas mãos do nosso primeiro herói, Porfírio da Paz, resurge para toda a eternidade o São Paulo Futebol Clube.

Da alma deste são paulino, ao lado da faculdade de direito do Largo de São Francisco, em um escritório de advocacia a biografia de um gigante começava a ser reescrita.

No marco zero da maior cidade do país resurgia um clube sem patrimônio, sem estádio e sem sede.

Mais uma vez o São Paulo interioriza a humildade que lhe deu origem e como uma Fênix que precisava expurgar o mal que tomou conta de seu corpo, volta para brigar por um lugar ao sol. Tudo isto pelas mãos de Porfírio da Paz, o homem responsável pelo tricolor que tanto amamos hoje.

Pautado das frases acima senhores é que tento mostrar que o São Paulo não é esta arrogância que a atual diretoria impos aos desmemoriados tricolores da atualidade.

Meu São Paulo não tem este nojento defeito. Nasceu, morreu e resurgiu pautado sempre pela humildade que lhe é característica.

O tricolor é muito maior que qualquer um que hoje vista as três cores de seu manto ou represente seus pseudo-interesses de terno e gravata.

Porfírio era um são-paulino absolutamente apaixonado pelo sonho de eternizar o tricolor, era um são paulino religioso, daqueles que faltam nestes tempos difíceis. São paulino que estaria envergonhado da arrogância e soberba que tomou conta do Morumbi nos tempos de hoje. Sozinho garimpou o Brasil inteiro em busca de figuras simples que tivessem muito mais que talento, tivessem hombridade para vestir o manto são paulino, o mais importante diga-se.

Honrando sempre as tradições tricolores, Porfírio entregou-se de corpo e alma ao projeto de fazer o novo tricolor, o São Paulo Futebol Clube, realizar seu primeiro jogo no aniversário da cidade que lhe dá nome.

Imaginem caros leitores. Este homem garimpou atletas, acertou com os mesmos, acertou com rádios, jornais e distribuiu panfletos anunciando a estréia tricolor para 25 de Janeiro sozinho.

Uma inspiração para qualquer são paulino de sofá que só segue o tricolor em véspera de grandes títulos.

Uma lição para qualquer um que vista nosso manto e duvíde de nossa grandeza.

Mas como nossa história nunca foi fácil, esta estréia não foi apoiada pela prefeitura afinal, para os já grandes de São Paulo não era do maior agrado que mais um figurasse neste cenário. A entrada do time e da pequena torcida tricolor ao Parque Antártica foi bloqueada.

Por um momento, o sonho tricolor de estrear no aniversário da cidade estava arruinado.

Mas este homem que tanto vos falo vai pessoalmente à Avenida Paulista, e com o coração na mão obriga ao prefeito que autorize o time que leva o nome da cidade estreiar e vencer por 3 a 2 seu primeiro embate.

Com os olhos mareados que lhes escrevo o início da guerra tricolor rumo a eternidade.

Sempre Humilhado pelos já grandes Corinthians, Palmeiras, Santos e Portuguesa, imagine um time sem estádio, torcida e tradição enfrentar desafios dentro e fora de campo sempre honrando sua humilde história. Sem nunca pisar em ninguém na vitória e mantendo a cabeça em pé na derrota. Tempos ainda mais difíceis desafiariam o tricolor rumo sua grandeza e como não poderia deixar de ser o time sem torcida, sem incentivo mais uma vez minguava à tempos difíceis.

Conta a história que Porfírio saiu as ruas, aos rádios pedindo doações, implorava que a torcida fosse ao estádio incentivar o tricolor e juntos impedir que o tricolor caisse de joelhos mais uma vez.

Diz a história que gente de origem humilde como nós, parava Porfírio nas ruas entregando-lhe todo o dinheiro dos bolsos sem titubear, guiados apenas pelo amor incondicional ao São Paulo, tirando a comida da boca de sua família em prol de um bem maior.

O São Paulo não poderia morrer, não desta vez.

E não morreu.

Digo com orgulho que com a ajuda de nossos rivais, Corinthians e Palmeiras nos restabelecemos caro São Paulino.

Estes times fizeram um amistoso cuja renda foi revertida a nossa causa. Acreditando que um time como o São Paulo não poderia se ajoelhar em virtude das inumeras dificuldades que a criação de um time de futebol pode trazer.

Este episódio, chamado de jogo das Barricas, só nos mostra que apesar da diferença de cores amigo somos todos iguais.

Somos iguais e devemos sempre lutar pelas cores dos rivais fora de campo, para que estes cresçam sempre conosco e sejam dignos de nossa rivalidade.

Conta a história que Porfírio morreu pobre, perdeu sua casa e sua familia passou por inúmeras dificuldades. Com os olhos cheios de lágrimas morreu com a convicção de que o São Paulo Futebol Clube saiu de suas mãos para a vida eterna.

Em 42, impondo sua grandeza aos rivais o tricolor decidia que era a hora de quebrar o tabu de Corinthians e Palmeiras sagrar-se novamente o grande campeão paulista. Sempre ironizado pelos rivais que insistiam que apenas times grandes se sagravam campeões o tricolor mostra que seu sangue é maior e faz a maior contratação da historia do futebol brasileiro.

Leônidas da Silva.

Registros da história dizem que após a reunião de definição da tabela do campeonato paulista de 43, o salão se enxia de jornalistas. Diretores de Palmeiras e Corinthians não davam conta de tantas perguntas vindas dos reporteres.

Trocavam farpas, desafios e praticamente batalhavam por ver qual time se sagraria campeão dentre os dois em um clima de pura rivalidade, tudo isto aos ouvidos do mudo diretor São Paulino Paulo Machado de Carvalho.

Com o intúido de resolver o embate entre os dirigentes de Corinthians e Palmeiras um reporter sugere que jogem uma moeda para ver quem será o grande campeão:

Cara é Corinthians. Coroa é Palmeiras.

Maliciosamente um reporter pergunta ao representante são paulino qual seria o resultado destinado à moeda.

Então com a sagacidade que Deus lhe deu nosso representante responde altivo:

A moeda cairá em pé e o São Paulo será o campeão de 43.

E em 43 uma das páginas mais importantes da nossa história foi escrita. A moeda caiu em pé e nós quebramos a escrita de anos de títulos alvinegros e alviverdes.

São Paulino, nunca se esqueça que tempos piores já existiram, superamos tudo com dignidade assim como superaremos qualquer obstáculo que a vida nos apresente.

Da superação de todos os obstáculos que mencionei e irei mencionar é que ganhamos o apelido de “Clube da Fé”, e para o clube da fé nada é impossível.

Com a mesma força que desafiamos o destino desafiamos também a ditadura de Vargas. Ditadura que proibia que qualquer bandeira estadual fosse ostentada, porém em 27 de abril de 1940, na inauguração do Pacaembu, o glorioso São Paulo entra altivo e orgulhoso estampando as cores e bandeira do estado que lhe deu nome.

Observando esta manifestação de orgulho e de personalidade, o estádio inteiro se levanta e bate palmas ao clube que um dia ousou desafiar a ditadura.

Desta ocasião sobrou ao São Paulo mais um apelido que repetimos até hoje: “O Mais Querido”.

Desde então, até 1950, ano que o craque Leônidas se aponsentou o São Paulo consagra-se campeão paulista mais cinco vezes, calando a todos que um dia ousaram debochar de sua grandeza. Tirando das mãos dos rivais anos de supremacia.

Mostrando que a moeda pode sempre cair de pé.

A triste história que deve ser sempre lembrada, para que não aconteça novamente.

Durante o período da ditadura porém, como clube novo e vencedor que era o São Paulo atraí a atenção dos ditadores e infelizmente passa a escrever trexos de sua história das quais não me orgulho porém devem ser contadas.

Aos moldes da ditadura é imposto ao São Paulo que seja seu representante.

E beneficiando-se desta força o São Paulo tenta a um preço irrisório a compra do estádio do Palestra Itália, porém sem sucesso, compra o hoje conhecido como estádio do Canindé.

Desvalorização natural ocorrida devida as origens italiana e alemã dos estádios e como não deveria deixar de ser, patrimônios de “representantes” do regime nazista perdiam seu valor como pelo vento.

Este estádio NUNCA recebeu um jogo São Paulino, foi muito mais uma atitude de gente oportunista que mais uma vez dominou o São Paulo que uma apropriação propriamente dita.

O estádio não tinha condições de receber uma partida sequem, nem no momento de sua compra e muito menos no momento de sua venda para a Portuguesa.

O Deutsche Sportive, time alemão ao qual o Canindé foi roubado infelizmente morreu assistindo gente sem alma que nunca mereceria a grandeza do escudo tricolor que diziam defender.

Ainda tomando vantagem dos tempos de ditadura aos quais o São Paulo sujeitou, o São Paulo pisa mais uma vez em sua história.

Esquece a luta que sempre pautou sua vida, do o nascimento até a vida eterna. O São Paulo recebe e aceita um terreno doado pela prefeitura e pelo estado. Aceita também dinheiro público para parte da construção do seu estádio e do sonho tricolor de construir o maior e mais moderno estádio da época. Surge o projeto Morumbi.

Apenas para lembrar aos novos tricolores que houveram períodos mais negros que os de hoje.

Com a construção do nosso estádio as atenções estavam completamente voltadas a ele e o São Paulo amargurou terríveis posições nos campeonatos de 57 até 70.

História que, conincide em parte com os dias de hoje caro são paulino. As atenções totalmente voltadas para a copa do mundo, o futebol as minguas e torcida sem conseguir ver um norte para o clube que tanto ama.

Caros são paulinos, com esta triste conincidência em mãos é que rogo a cada um que não permita que cometamos os mesmos erros do passado.

O Morumbi não pode receber mas um centavo de dinheiro público, devemos fiscalizar por nós mesmos que cada dinheiro emprestado do estado seja pago com todo o juros que nos for combinado.

O São Paulo não pode reescrever este triste capítulo de sua história, ele deve sim, relembrar seu passado de lutas contra tudo e contra todos, sua humildade que vem de berço e se erger mais uma vez gigante com os próprios pés a passos firmes e confiantes.

Do Largo de São Francisco para o Mundo.

Neste momento o São Paulo deixava de ser um time regional caros amigos, para se tornar pela primeira vez campeão brasileiro de 77 e vice de 71 e 73. Neste ponto o São Paulo passava a figurar no cenário internacional com o vice campeonato da Libertadores de 74, feito inédito para qualquer paulista daquele tempo.

Do coração de gente como Cilinho o tricolor sagra-se bicampeão paulista, provando a todos que nasceu para ser cempeão.

Revela craques como Muller e os Menudos do Morumbi.

E nos pés do maior jogador que já pisou no Morumbi, Raí, o São Paulo toma o mundo em 92 e 93, passando um recibo de sua grandeza ao Barcelona.

A partir daqui caros amigos é que deixo a história vitoriosa que vocês todos conhecem.

Nossas glórias vem do passado sim, mas nossas principais glorias não são nossos títulos, nem patrimônio e nem torcida.

Nossas glórios são o coração de gente como Porfírio da Paz, Leônidas da Silva e todos que um dia dizeram do tricolor este gigante que é hoje.

Estas pequenas e muito resumidas linhas lhes contei aqui não trata nem a metade a história e verdadeira tradição do Time da Fé, mas tentei através destas linhas recuperar em cada coração tricolor a grandeza e a confiança de que fomos nascidos para ser gigantes, nunca nos esquecendo da nossa humildade.

Esquecer de nossa humildade é pisar em nossa história, é matar toda a memória de gente que morreu pela nossa causa, é matar o São Paulo Futebol Clube por dentro.

É através destas linhas que peço a esta diretoria prepotente que devolva o meu São Paulo devolta as mãos dos verdadeiros são paulinos.

Todos os créditos ao blog do Marcello Lima de onde recuperei parte de nossa memória.

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